sábado, 24 de julho de 2010

TUDO SOBRE LARANJA E FRUTAS CÍTRICAS

FONTES SABOROSAS DE VITAMINA C E FIBRAS

As frutas cítricas em geral são originárias da Ásia, provavelmente das regiões por onde hoje se estendem a Índia, a China e países vizinhos de clima tropical úmido e subtropical. Foram cultivadas para consumo na Babilônia e na Palestina, entre outros locais do Oriente Médio, mas só tiveram divulgação na Europa no fim da Idade Média e na época das Grandes Navegações (século 15), quando se descobriu que o consumo de laranjas e limões curava o escorbuto, uma doença causada pela falta de vitamina C.
Os antigos gregos e romanos não as conheceram. Algumas características gerais das frutas cítricas são a espessura da casca, que é mais fina nos climas mais quentes, o óleo da casca, cuja quantidade diminui em laranjas e limões plantados em áreas quentes e menos ensolaradas. A acidez também diminui em temperaturas mais elevadas. A quantidade de vitamina C aumenta em proporção direta com a exposição à luz, sendo maior nas frutas que ficam na parte externa da copa do que nas das partes sombreadas.

LARANJA: MUITO MAIS QUE VITAMINA C
A laranja (Citrus aurantium ou Citrus x sinensis e descendentes) é mais um exemplo de fruta aperfeiçoada pelo homem, pois surgiu na Ásia, provavelmente na Índia, pelo cruzamento do pomelo com a tangerina chinesa. | O próprio nome laranja deriva do sânscrito, narang. Posteriormente foi disseminada pelas comunidades locais, chegando até o mundo árabe. Laranjais faziam parte dos jardins árabes.
Fora do ambiente asiático, entretanto, essas árvores só começaram a ser conhecidas no mundo ocidental no final da Idade Média, com as invasões árabes na Península Ibérica e com as cruzadas que chegaram até a Palestina. Passaram a ser valorizadas na época das Grandes Navegações (século 15), quando se constatou que seus frutos serviam para curar o escorbuto (doença causada pela falta de vitamina C) comum em viagens marítimas.
Mudas de laranjeiras doces foram trazidas da China para o Brasil pelos primeiros colonizadores portugueses, havendo registros de laranjais plantados em Cananéia (SP) em 1540. Na Bahia, os registros de plantio de laranjas remontam a 1549. Antes de 1800 foi nessa região que surgiu, provavelmente por mutação da laranja seleta, a laranja-da-baía, ou laranja-de-umbigo. Em 1873, técnicos de citricultura de Riverside, na Califórnia, EUA, receberam dos serviços diplomáticos brasileiros três mudas de laranja-da-bahia.
Essas três mudas levadas para a Califórnia deram origem aos laranjais que espalhariam a variedade brasileira pelos EUA e depois pelo mundo, com o nome de washington navel. É hoje a segunda laranja doce mais cultivada no mundo, só superada pela variedade valência. No Rio Grande do Sul, os primeiros registros de plantações de laranja são de 1760, no vale do Taquari, por imigrantes açorianos.
Das várias dezenas de espécies e variedades de laranjeiras, só algumas são cultivadas comercialmente no Brasil em grande escala: laranja-pêra (75% do total dos enxertos comerciais), laranja-baiana (15% dos enxertos), laranja-baianinha (6% dos enxertos). Como porta-enxertos, são usados o limão-cravo e o rugoso-da-flórida, mais resistentes a pragas.
O problema tanto dos porta-enxertos como dos enxertos com poucas variedades é o eventual surgimento de uma praga que afeta essa variedade de fruta ou de porta-enxerto e tem potencial para dizimar plantações em pouco tempo, como já ocorreu algumas vezes. Nos anos 1930, por exemplo, eram usadas como porta-enxertos as laranjeiras-azedas. Em 1939, porém, surgiu uma praga chamada tristeza eliminou todas as plantações de laranjas enxertadas do Estado de São Paulo. Mais de 10 milhões de árvores tiveram de ser queimadas e o porta-enxerto teve de ser substituído por espécies resistentes à tristeza (no caso o limão-cravo).

Coquetel de vitaminas, fibras e sais minerais
Embora uma única laranja possua a quantidade de vitamina C necessária para o metabolismo diário de uma pessoa (45 mg, segundo recomendação do National Resarch Council norte-americano), essa fruta não se limita à vitamina C, constituindo-se num verdadeiro coquetel de vitaminas e sais minerais.
O médico Flávio Rotman recomenda o consumo de variedades diferentes de laranja ao longo do ano, aproveitando as épocas em que a concentração de vitamina C é maior nesses frutos: laranja-baía (47 mg de vitamina C em cada 100 g) de março a setembro; laranja-lima (53,3 mg em cada 100 g) de fevereiro a setembro; laranja-seleta (40,6 mg em cada 100 g), de janeiro a setembro; laranja-pera (40,9 mg em cada 100 g), de junho a janeiro; laranja-natal (55,1 mg em cada 100 g) durante o ano todo.
Não é recomendável coar muito o suco da laranja, pois a maior quantidade de vitamina C está aderida àquelas “garrafinhas” que contêm esse suco nos gomos da laranja. Essas “garrafinhas”, assim como o bagaço das laranjas, que deve ser consumido, são formadas de fibras, que aumentam o bolo fecal, regulam os movimentos do aparelho digestório e varrem as paredes dos intestinos, ajudando a diluir o colesterol aderido.
Chupar laranja com o bagaço é um hábito saudável, pois as fibras que compõem o bagaço, além de servirem como “vassouras” nos nossos intestinos, ajudam a limpar os dentes. Também servem de alimento para bactérias úteis ao nosso organismo que vivem nos intestinos e se alimentam dessas fibras. Essas bactérias combatem os micróbios patogênicos por meio de antibióticos naturais que não nos fazem mal. Além disso, produzem substâncias úteis, como a vitamina B12.
“Graças a seus princípios açucarados e ligeiramente ácidos, a laranja estimula o paladar, abre o apetite, acalma a sede, favorece a secreção do suco gástrico, de bílis e de todos os líquidos do tubo digestivo”, diz o professor Alfons Balbach no seu livro As Frutas na Medicina Doméstica.
O professor Balbach também explica que os sais alcalinos da laranja favorecem a eliminação do ácido úrico e impedem a acidose, “terror das pessoas que levam vida sedentária ou que alcançaram idade avançada”. Ele recomenda que o suco de laranja seja usado para contrabalançar o abuso do consumo de carne.
Outras qualidades da laranja: age como depurativa do sangue, combate o artritismo, faz bem para as vias respiratórias e melhora estados de asma, devendo ser usada em grande quantidade em casos de pneumonia.
É levemente laxante, ajudando a regularizar os intestinos. O uso diário de suco de laranja age como calmante e antidepressivo. Ajuda a prevenir gripes e resfriados e alivia dor de cabeça, potencializando a ação de analgésicos.
Óleos essenciais da laranja
As laranjeiras fornecem três tipos de óleos essenciais muito usados em aromaterapia e perfumaria: o néroli (extraído da flor da laranjeira-amarga, chamada Citrus aurantinum), o petitgrain (das folhas e ramos das variedades doce e amarga) e o óleo essencial de laranja, extraído das cascas das laranjas, principalmente as amargas.



Principais variedades de laranja

Pêra, hamlim, seleta, lima, barão, valência, mangarativa, branca, rosa, lisa, china ou caipira, abacaxi, piralima, baía, baianinha, washington, thompson navel, sanguínea, rubi, maltesa, westin, natal, Sabará, coco, imperial, serra-d’água, joão nunes, orvalho-de-mel, champanhe, feijão-cru, mato-grosso, problefina, moro, sanguinelli, elisa e torocco. (Veja detalhes no boxe com as principais espécies da família das Rutáceas, no final do livro.)




Princípios ativos da laranja
(modelo: laranja-amarga)
Óleo essencial (limoneno, linalol, acetato de linalina, acetato de geraniaol e acetato de geranilo), substâncias amargas, hesperidina, açúcar, pectinas.



FICHA TÉCNICA
(modelo: laranja-da-baía)

Ingredientes principais em cada 100 g
Calorias 65
Proteínas 0,6 g
Gorduras 1g
Vitamina A 195 U.I.
Vitamina B1 – tiamina 135 mcg
Vitamina B2 – riboflavina 150 mcg
Vitamina B3 – nicacina 0,25 mg
Vitamina C – ácido ascórbico 48 mg
Calcio 45 mg
Potassio 36 mg
Fósforo 21 mg
Sódio 13 mg
Enxofre 11 mg
Magnésio 8 mg
Cloro 2 mg
Silício 0,45 mg
Ferro 0,2 mg

RECEITUÁRIO
MEDICINA POPULAR
Cicatrizante contra cravos e espinhas
Despeje 10 botões florais de laranja amarga em 1 xícara (chá) de água morna, tampe e deixe repousar por 12 horas. Coe, acrescente 1 colher de mel e passe nos locais afetados.

Calmante contra insônia
Coloque cinco botões florais de laranja amarga em 1 xícara (chá) de água, deixe tomar sol das 9h ate as 12h. Coe e adicione igual porcentagem de conhaque. Tome de 10 a 15 gotas diluídas em 1 cálice de água 2 a 3 vezes ao dia, principalmente à noite.
Contra gripes e resfriados
Coloque 1 colher (sopa) de folhas frescas picadas de laranjeira amarga ou de outra espécie em 1 xícara (chá) de água fervente. Deixe amornar tampado. Coe e tome 1 xícara (chá) à noite, antes de deitar. Evite o sereno da noite.
Banho relaxante
Despeje 2 colheres (sopa) de botões florais, 2 colheres (sopa) de folhas picadas e 2 colhes (sopa) de casca de laranja amarga picada em 1 litro de água fervente. Abaixe o fogo e deixe ferver 15 minutos. Coe e coloque na água da banheira em temperatura quase quente para tomar banho por 15 minutos, de preferência à noite, antes de deitar.

Chá estimulante
Descasque qualquer tipo de laranja, conservando a parte branca. Raspe a parte lisa com uma faca afiada, para retirar o excesso de ácido. Seque ao sol ou no forno (baixo) e triture. Guarde em recipientes de vidro escuro. Despeje 1 xícara de água fervendo sobre 1 colher rasa (sopa) dessas cascas secas. Tome aos goles à tarde. O ingrediente ativo é a hesperidina, que retarda a oxidação da adrenalina, aumentando os níveis dessa substância no corpo.
Suco anticolesterol
Bata um terço de berinjela crua no liqüidificador com 1 copo de suco de laranja e tome todas as manhãs. A laranja reforça a ação das fibras da berinjela, que varrem as gorduras da superfície dos intestinos e permitem sua diluição e eliminação.
Banho caseiro contra depressão e melancolia
Ferva 5 xícara (chá) de flor de laranjeira em 5 litros de água e misture na água da banheira aquecida a 37 graus.
Chá antidepressivo
Despeje água fervente sobre 2 folhas picadas e quatro flores inteiras (frescas ou secas). Deixe amornar tampado e tome à noite, antes de dormir.

Contra febre
Corte uma laranja madura em pedaços e despeje num pote com 2 copos de água fervendo e 3 colheres de açúcar. Deixe esfriar tampado, coe e tome várias vezes ao dia, enquanto persistir o estado febril.
Contra espasmos do estômago
Despeje 1 xícara (chá) de água fervendo sobre 1 colher (sopa) de flores de laranjeira e camomila misturadas. Coe e adoce com 1 colher (sobremesa) de mel. Tome 1 xícara por hora até as dores acalmarem.
Tintura contra cólicas
Descasque um fruto e raspe a parte branca, deixando só a amarela ácida. Seque ao sol, triture e deixe macerando por duas semanas num copo de álcool a 80 graus. Guarde em vidrinhos escuros que tenham conta-gotas. Tome 30 gotas diluídas num cálice de água fria ou morna para aliviar dores.

CULINÁRIA

Água de flor de laranjeira
Mergulhe 1 xícara (chá) de flores de laranjeira bem lavadas num pote de vidro transparente com 1 litro de água e deixar ao sol por pelo menos quatro horas. Coe espremendo num pano. Use para temperar licores e gelatinas e também para suavizar a pele, em compressas.

Refrigerante isotônico de laranja
Dissolva ¼ de xícara (chá) de açúcar em meia xícara (chá) de água quente e acrescente ¼ de xícara de suco de laranja, 1 colher (café) rasa de sal e 3 e ¼ xícaras (chá) de água gelada. Misture bem e use como substituto dos refrigerantes industrializados. Tem muito menos açúcar e não tem gás carbônico. Se quiser um refrigerante mais light, substitua o açúcar por 1 colher (sopa) mel e 1 colher (sopa) de adoçante em pó (2 pacotinhos), procedendo a receita da mesma forma. Se a pedida for um refrigerante diet, substitua o açúcar por 3 ou 4 pacotinhos de adoçante em pó. Pode ser feito com outras frutas.

Xarope de laranja
Misture 2 xícaras (chá) de suco com 2 xícaras (chá) de açúcar e ferva por 5 minutos. Deixe esfriar, coe e guarde numa garrafa, na geladeira. Sirva dois dedos por copo e complete com água gelada, para usar como substituto dos refrigerantes. Pode ser feito com limão, tangerina e outras frutas cítricas.

Licor mágico de laranja (digestivo)
Despeje 1 litro de aguardente 60º de boa qualidade e 250 gramas de açúcar refinado num pote de vidro de dois litros que tenha tampa de rosca. Com um prego aquecido, faça dois furos no meio da tampa, de modo a pendurar um arame plastificado na parte de dentro do frasco. Feche os furos com durepóxi. Pendure nesse arame uma laranja madura de casca fina e pedúnculo resistente. Rosqueie a tampa deixando o fruto suspenso sobre a aguardente, sem tocá-la. Guarde por dois meses em lugar escuro, sem agitar. Abra, retire o fruto seco e engarrafe.

Cointreau caseiro (digestivo)
Faça vários furos na casca de uma laranja-pera e mergulhe-a num pote com 2 copos de pinga de boa qualidade onde foram diluídas 4 colheres (sopa) cheias de açúcar cristal. Tampe e deixe macerando no mínimo duas semanas. Coe e engarrafe.

Licor caipira (digestivo)
Coloque, num pote grande de cerâmica, 6 laranjas-peras (com as cascas previamente furadas por garfo), 10 colheres (sopa) de açúcar cristal, 2 paus de canela e 2 cravos-da-índia. Cubra com 1 litro e meio de álcool de aguardente, tampe e deixe macerar por um mês. Coe e engarrafe. Em lugar das laranjas, podem ser usadas mixiricas-rio para obter um licor de sabor muito especial.

Curaçao (aperitivo)
Macere, em 500 gramas de álcool 95º, durante oito dias, 50 gramas de cascas de laranja amarga recém-picadas, 1 grama de canela em pó e 1 grama de cravo em pó. Coe, adicione 500 gramas de açúcar e 1 copo de água (ou o suficiente para tornar a mistura fluida). Macere por dez dias em pote escuro e tampado, mexendo uma vez por dia, para dissolver o açúcar. Coe e engarrafe.

Bolo de laranja
Corte 1 laranja ao meio e tire o miolo branco central e as sementes. Depois bata essa laranja no liquidificador e despeje num recipiente. Misture com ½ xícara (chá) de manteiga, ½ xícara (chá) de açúcar, 4 gemas, ½ xícara de suco de laranja, 1 e ½ xícara de farinha de trigo, ½ xícara de maisena e 1 colher (chá) de fermento em pó. Bata bem até ficar um creme uniforme e então acrescente 4 claras batidas em neve, misturando com cuidado. Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus por cerca de meia hora, em forma untada com manteiga e polvilhada com farinha. (Receita de J. D. Leonel)

Laranjada
Rale a parte ácida das cascas de laranjas amargas, corte-as pelo meio tire os miolos brancos e as sementes. Ferva-as e deixe de molho por 12 horas para que percam o gosto amargo, trocando a água 3 vezes. Leve as laranjas de novo para ferver, cozinhe bem, espere esfriar e passe numa peneira fina. Para cada kg de laranja, acrescente 1 kg e 200 g de açúcar. Faça uma calda com o açúcar e depois misture a laranja peneirada e leve ao fogo, mexendo com colher de pau. Quando estiver quase dando ponto de geléia junte o suco de 3 tangerinas e continue a mexer até que se despregue do fundo da panela. Despeje em formas e deixe esfriar e endurecer.

Laranjada
(outra receita)
Lave e rale a parte ácida das cascas de 12 laranjas-da-baía. Corte-as em rodelas e deixe de molho por 12 horas, trocando a água umas quatro vezes. Depois passe as laranjas numa máquina de moer carne. Depois acrescente 1 kg e 200 g de açúcar para cada kg de massa de laranja e o suco de 8 laranjas comuns para cada kg de massa. Leve ao fogo até dar ponto de marmelada. Disponha em fôrmas para esfriar.



UTILIDADE DOMÉSTICA

Desodorante de ambientes
Seque cascas de laranja ao sol e queime-as num pratinho como incenso. Também serve para afastar mosquitos.


LIMÃO: UMA FARMÁCIA NA COZINHA
Como a laranja, o limão, fruto do limoeiro (Citrus limonum, árvore da família das Rutáceas originária da Índia), não era conhecido pelos antigos gregos e romanos. Disseminou-se pela Europa a partir da Pérsia, levado por conquistadores árabes que chegaram à Península Ibérica, dominando parte da Espanha. As propriedades do limão e das frutas cítricas contra o escorbuto (doença hemorrágica causada por falta de vitamina C, comum entre os marinheiros que enfrentavam longas viagens) acabaram conhecidas pelos aventureiros da época das grandes navegações.
O escorbuto, entretanto, causou grandes estragos, antes que se generalizasse o consumo de cítricos pelas populações navais. Em 1498, por exemplo, essa doença matou mais da metade da tripulação de Vasco da Gama, em sua célebre viagem que ultrapassou o Cabo da Boa Esperança. Em 1617 o médico inglês John Woodall provou que o limão era realmente eficaz na prevenção e tratamento do escorbuto. Em 1742 já há registros de suprimentos de limão para os navios ingleses e em 1795 James Lind, cirurgião da Marinha de Sua Majestade britânica, tornou obrigatório o suprimento de suco de limão para os marinheiros, fazendo desaparecer por completo o escorbuto.
Apesar de os antigos marinheiros conhecerem na prática essa propriedade do limão e das frutas cítricas, a vitamina C, que explica essa propriedade, só veio a ser descoberta em 1928, quando foi batizada como ácido ascórbico. O preço do limão disparou em 1918, com a epidemia de gripe espanhola.
“Ter um limoeiro no quintal é contar com uma verdadeira farmácia doméstica”, dizia o professor Sylvio Panizza, do departamento de Botânica da USP. O professor dava como exemplo alguns dos benefícios do limão: ele depura o sangue, aumenta as defesas do organismo (por causa da vitamina C que contém), é levemente antiinflamatório, combate infecções e arteriosclerose, além de estimular os rins e acalmar crises de febre e dor de cabeça e de apressar a cicatrização de ferimentos.
Além da vitamina C, essa fruta contém ácido cítrico, pectina (na parte branca da casca), cálcio, fósforo, ferro, magnésio, manganês, potássio e sódio, o que o indica como tônico refrigerante e remineralizante. Como as outras frutas cítricas, contém bioflavonóides, que bloqueiam os receptores de hormônios estimulantes do câncer. Contém ainda taninos anticancerígenos, que possuem atividade antioxidante e inibem enzimas dos tumores e a formação de nitrosamina, uma substância cancerígena.
Citando o médico José Castro, o professor Alfons Balbach, autor de As Frutas na Medicina Doméstica, explica que “O limão, com seus ácidos facilmente transformados em elementos alcalinizantes, e com suas bases, fermentos e vitaminas, contribui poderosamente para oxidar os resíduos (do metabolismo), mormente os protéicos, que são, como agora sabemos, os responsáveis diretos pelo imperante artritismo em todas as suas manifestações”.
É necessário cuidado ao manipular o limão em presença do sol, pois certas substâncias chamadas furocumarinas contidas em sua casca fazem a pele ficar sensível à luz solar. Fazer caipirinha na praia pode provocar queimaduras. O professor Sylvio Panizza gostava de explicar que o único tipo de limão que não contém substâncias fotossensibilizantes é o siciliano, que pode ser manipulado ao sol sem problemas porque não tem furocumarinas.
O suco do limão também é muito usado em culinária para evitar desidratação dos alimentos que vão ser aquecidos. A carne moída usada em bolos de carne ou no recheio de esfihas fica mais úmida e saborosa se for regada com limão. O suco de limão faz o mesmo efeito de tornar mais suculentas as berinjelas grelhadas ou ao forno.
As cascas de limão são melhores que as da laranja para uso em doces e decoração culinária. As de laranja são consideradas um pouco indigestas.
As folhas e flores do limoeiro têm as mesmas propriedades das da laranjeira.



Principais variedades de limoeiros
Em todo o planeta, mais de 50 variedades de limões são cultivadas. Entre as principais variedades, destacam-se siciliano, eureka, lisboa, gênova, vilafranca, rugoso, méier, âmbar ou ouro, feminello, interdonato, monachello, berna, mesero, além de várias variedades de limões doces. (Veja detalhes no boxe com as principais espécies da família das Rutáceas, no final do blog.)



Princípios ativos

Óleo essencial (limoneno), ácidos orgânicos (cítrico e málico), bioflavonóides (hesperidina), pectinas, vitamina C, sais minerais.


FICHA TÉCNICA

Principais ingredientes em cada 100 g

Calorias 44,6
Carboidratos 8,5 g
Proteínas 1 g
Gorduras 0,70 g
Vitamina A 20 U.I.
Vitamina B1 – tiamina 55 mcg
Vitamina B2 – riboflavina 60 mcg
Vitamina B5 – niacina 0,31 mg
Vitamina C – ácido ascórbico 30,20 mg
Potássio 127 mg
Cálcio 107 mg
Fósforo 21 mg
Sódio 9 mg
Ferro 0,35 mg



RECEITUÁRIO

MEDICINA POPULAR
Para cortar a diarréia
Misture 1 colher (sopa) de maisena em 1 xícara (café) de suco de limão e tome após cada evacuação.

A cura pelo limão
(tratamento de 14 dias)
No primeiro dia, tome o suco de um limão, sem adoçar ou adoçado com adoçante artificial ou mel. No segundo dia, aumente para dois limões; no terceiro, para três limões - e assim sucessivamente até completar o sétimo dia, em que você tomará o suco de sete limões. A partir do dia seguinte, ir diminuindo a dose: seis limões, depois cinco - até chegar a um, no 14º dia. Esse tratamento fortalece o sistema imunológico e os aparelhos respiratório e circulatório.

Tratamento "alholimão" contra asma e tosse
Bata no liqüidificador o suco de 6 limões com 150 gramas de dentes de alho descascados e 1 cálice de pinga. Coe espremendo num pano e tome 1 colher (chá) por dia, pela manhã. Guarde na geladeira, em recipiente tampado. É ótimo para cortar tosse e tratar asma e bronquite.

Contra dor de garganta
Faça bochechos varias vezes ao dia com uma mistura de água morna e suco de limão em partes iguais com um pouco de sal.

Contra soluços
Tomar uma colher (sopa) de suco puro de limão ou deixar derreter um torrão de açúcar com gotas de suco de limão.

Contra febre
Despeje 2 limões com casca cortados em fatias finas em ½ copo americano de água e ferva até reduzir o líquido para 1/3. Coe num pano fino, apertando os resíduos. Deixe na geladeira por uma noite e beba na manhã seguinte.
Contra gripes e resfriados
Despeje 1 xícara (chá) de água fervente sobre 1 colher (sopa) de folhas picadas e 1 colher (sopa) de cascas picadas. Deixe amornar tampado e tome 1 xícara (chá) de preferência à noite.

Para melhorar a circulação
Despeje 1 colher (sopa) da parte branca da casca do limão e 1 colher (sopa) da casca em 1 xícara (chá) de água ferva por 3 minutos e deixe amornar tampado. Coe e tome 1 xícara (chá) 2 a 3 vezes ao dia.

Para baixar a pressão
Bata no liquidificador o suco de 1 limão com 2 dentes de alho em meio copo americano de água. Coe num pano, espremendo bem e tome. Faz baixar a pressão em muitos casos de crises de hipertensão. (Receita fornecida por J. D. Leonel)

Contra vermes
Toste ligeiramente 2 colheres (sopa) de sementes de limão, moa e despeje 1 xícara (chá) de águia fervendo. Deixe amornar tampado, coe e tome 4 xícaras (café) de hora em hora pela manhã, em jejum.

Para cortar resfriados
Misturar o suco de 1 limão com 1 clara de ovo, bater durante dez minutos e ingerir em seguida.

Contra nevralgias
Com uma esponja macia, esfregue suco fresco de limão siciliano no local.

Contra nevralgias
(outra receita)
Corte um limão em dois e coloque uma das metades voltada sobre a parte dolorida.

Contra flatulência e mau-hálito de origem estomacal
Ferva 4 folhas de limão numa xícara (chá) de água por 2 minutos, deixe amornar tampado e tomar aos goles depois das refeições.

Contra vômitos
Cheire a casca de um limão ralada.

Contra dor de garganta
Bocheche várias vezes ao dia com uma mistura de água, suco de limão, água morna e um pouco de sal ou bicarbonato.

Contra soluços
Tome uma colher (sopa) de suco de limão.

Contra micoses
Esfregue 1 limão siciliano fresco cortado em tiras com algumas gotas de iodo, ou esmague o limão num pilão até formar 1 xícara (café) de suco coado, pingue 5 gotas de iodo e passe no local com gaze ou pincel limpo. Advertência: só use limão siliano e assim mesmo não exponha ao sol as partes tratadas. Pode sensibilizar a pele e provocar graves queimaduras.

COSMÉTICA
Desodorante
Passe suco de limão siciliano com uma pitada de bicarbonato nos pés e axilas.

Alternativa para pasta de dente
Se faltar pasta de dente, use suco de limão para escová-los e para escovar a língua e as bochechas. Faça gargarejos e cuspa, lavando com água morna.

Contra pele seca e sem brilho
Misture 1 colher (chá) de suco de limão em 2 colheres (sopa) de mel. Aplique com um pincel no rosto, pescoço e mãos e deixe agir por 20 minutos. Lave com água à temperatura ambiente.
Contra unhas fracas
Misture 5 gotas de suco de limão em 1 colher (sopa) de óleo de rícino e aplique sobre as unhas, massageando bem. Faça o tratamento durante uma semana e veja os resultados. Também trata cutículas ressecadas.

CULINÁRIA

Tire mais suco de limão seco
Se o limão for meio “durinho” e seco, coloque-o por 5 segundos no forno de microondas. O suco sairá melhor.

Cobertura para bolo (glacê)
Misture 250 g de açúcar peneirado ou açúcar de confeiteiro com 2 colheres de suco de limão e 2 de água. Bata até formar uma pasta cremosa. Use para cobrir o bolo e deixe secar na geladeira para ficar uma cobertura crocante.

Cobertura para bolo
(outra receita)
Bata 2 claras em neve e depois acrescente ½ xícara (chá) de açúcar, o suco e a casca externa ralada de 1 limão. Cubra o bolo com essa pasta e espere secar para ficar crocante. Essa cobertura enriquece o aspecto e o sabor do bolo e não é enjoativa. (Receita de J. D. Leonel)

Musse de limão
Bata no liquidificador 1 lata de creme de leite com o soro e 1 lata de leite condensado. Vá acrescentando aos poucos ½ xícara (chá) de suco de limão e bata um pouco para ficar um creme consistente. Acomode em potinhos, polvilhe um pouco de casca ralada de limão e leve à geladeira até a hora de servir.


Farinha de limão
(iguaria do vale do Rio São Francisco)
Misture 1 xícara (chá) de farinha de trigo, ¼ de xícara (chá) de açúcar, ½ xícara (chá) de nozes ou castanhas de caju picadas com ½ xícara de manteiga derretida. Misture até formar uma farofa. Ponha numa assadeira e leve por 20 minutos ao forno médio já pré-aquecido (150 graus). Tire quando estiver dourando. Deixe esfriar e coloque metade numa forma refratária e reserve o restante. Bata 2 gemas até ficar cremoso, junte 1 lata de leite condensado, 1 xícara (chá) de suco e a casca ralada de 1 limão. Depois bata 2 claras em neve e acrescente ¼ de xícara (chá) de açúcar até obter um suspiro firme. Acrescente a mistura de limão e coloque sobre a metade da farofa que já está na forma refratária. Cubra com a outra metade da farofa e leve à geladeira até a hora de servir. (Receita do dr. Flávio Rotman)

Licor digestivo
Descasque 6 limões tahiti sem a parte branca, pique e misture com 2 xícaras (cha) de acúcar-cristal e 2 xícaras (chá) e meia de aguardente. Deixe repousar por três dias e tome 1 cálice depois das refeições.

Geléia de goiaba com limão
Pique 5 quilos de goiabas bem lavadas com casca e caroços e cozinhe com 6 limões galegos pequenos descascados e cortados em pedaços. Depois de bem cozido (uns 20 minutos), espere esfriar e esprema num pano de cerda grossa para extrair um caldo cremoso. Faça uma calda com 2 kg de açúcar cristal e junte o caldo das goiabas. Ferva mexendo de vez em quando até dar ponto de geléia. (Para saber o ponto, pingue a geléia num prato enxuto: ela deve ficar firme e não derramar.)

Torta de limão
Amontoe 3 xícaras (chá) de farinha de trigo numa superfície lisa, acrecente ½ xícara (chá) de manteiga e 2 colheres (sopa) de açúcar. Misture bem, sem amassar, espremendo levemente com as pontas dos dedos. Em seguida acrescnte 1/3 de xícara de água fria com 1 pitada de sal, continuando a espremer a massa com os dedos, sem amassar. Quando estiver uniforme, faça uma bola, cubra com guardanapo úmido e deixe descansar por duas horas à temperatura ambiente. Depois abra a massa com o rolo. Forre uma fôrma de torta ou um pirex, ajustando a massa dos lados e no fundo. Fure a massa ao fundo com um garfo para que ela não estufe. Asse no forno e cubra com o seguinte recheio. Misture 3 gemas de ovos, 3 colheres (sopa) de açúcar, 2 colheres (sopa) de maisena em 3 copos americanos de água. Ferva e vá mexendo para não encaroçar. Quando estiver cremoso, apague o fogo e acrescente o suco de 3 limões. Despeje na massa assada e cubra com glacê de suspiro feito com as claras que sobraram do recheio. Leve ao forno brando para secar o suspiro.

Aromatizante para doces
Despeje 2 colheres (sopa) de casca ralada ou fatiada em 1 xícara (chá) de álcool de cereais a 80%. Deixe macerar durante 8 dias, agitando de vez em quando. Coe num pano, espremendo bem o resíduo. Realça o sabor de bolos, biscoitos e sorvetes.

UTILIDADE DOMÉSTICA
Desodorante de ambientes
Seque cascas de limão ao sol e queime-as num pratinho como incenso. Também serve para afastar mosquitos.


TANGERINA: COQUETEL DE VITAMINAS E MAGNÉSIO
Também chamada mexerica ou bergamota, a tangerina é o fruto da tangerineira (Citrus nobilis), árvore nativa da China que era privilégio de mandarins e se cultivava nos templos. Só ficou conhecida no Ocidente a partir do século 19, embora fosse comum no Japão, onde até hoje é o fruto cítrico mais consumido pela população.
Fácil de descascar, a tangerina é consumida na sua forma natural, em suco, sorvete ou doces. Além da vitamina C, típica dos cítricos, o que caracteriza essa fruta é a grande quantidade de magnésio (mais de 5 mg em cada 100 g). Alguns problemas resultantes da deficiência de magnésio são má-digestão, náuseas, debilidade da visão, arterioesclerose, gota, reumatismo, quistos e tumores (veja boxe sobre o magnésio).

Principais variedades de tangerina

Dentre as variedades de tangerinas doces mais cultivadas no Brasil destacam-se: mexerica, clementina, poncã, dancy ou flórida, cravo, satsuma, montenegrina, cleópatra, rio, imperador, ipanema e onesco. Entre as variedades azedas (que têm gosto de limão) estão o limão-cravo (erroneamente por muitos considerado limão), limão-rosa ou limão rangpur e calamondin. Também há híbridos de tangerina com laranja: murcote, temple, tangerona, kara e kinga. (Veja detalhes no boxe com as principais espécies da família das Rutáceas, no final do livro.)





A força do magnésio

Segundo o doutor Flávio Rotman, um ser humano adulto normal possui em seu corpo cerca de 20 gramas a 28 gramas de magnésio, 60% localizados nos ossos, 26% nos músculos e o restante nos tecidos moles e outras células.

O magnésio é elemento fundamental para síntese das proteínas, para a contratilidade muscular e excitabilidade dos nervos, além de aumentar o poder de algumas enzimas. Esse sal mineral ajuda a manter a temperatura do nosso corpo e combate a arteriosclerose, pois dissolve gorduras no sangue.

O magnésio também previne cálculos renais de oxalato de cálcio. É ainda indispensável nos casos que favorecem a deficiência desse mineral, como vômitos freqüentes, diarréia crônica, má-absorção intestinal, alcoolismo e uso prolongado de diuréticos como clorotizida, ácido etacrínico, cloreto de amônio, diuréticos mercuriais.

A falta de magnésio está associada a casos de hipertireoidismo tóxico (tireotoxicose). Nos casos de hipotireoidismo grave, a concentração de magnésio tende a se elevar no sangue e nos tecidos. A normalização da tireóide estabiliza essas duas situações, pois os hormônios dessa glândula têm ação estimulante no transporte celular do magnésio.

Casos graves de diabetes também precisam regulação com insulina para que os níveis normais de magnésio sejam mantidos no organismo.

Outra glândula que regula os níveis de magnésio no organismo é a adrenal. Quando ela funciona demais, ocorre deficiência de magnésio; quando o funcionamento da glândula é falho, os níveis de magnésio sobem no sangue e nos tecidos.

Segundo o doutor Flávio Rotman, os principais sintomas clínicos de falta de magnésio são alterações no comportamento e distúrbios neuromusculares, com aumento dos reflexos, convulsões generalizadas ou focais, vertigem, ataxia, tremores, fraqueza muscular, além de alterações eletrocardiográficas.

O excesso de magnésio, quer por desequilíbrio no metabolismo, quer pela ingestão de remédios como alguns laxantes, também causa problemas neuromusculares, afeta o coração, diminui a pressão arterial, causa náuseas e dificuldade para urinar e defecar.

O problema do excesso de magnésio é mais grave nas pessoas com insuficiência renal. Devem-se evitar os laxantes e antiácidos à base de magnésio nos casos de pouca filtração urinária (menos de 20 ml por minuto) ou quando os índices de uréia e creatinina estiverem muito elevados no sangue (índice de insuficiência renal).




Outros alimentos ricos em magnésio

Ameixa, arroz integral, azeitona, aveia, batata, banana, beterraba, castanha-do-pará, cereja, cevada, coco, couve, café, chocolate, espinafre, laranja, maçã, pêra, trigo e germe de trigo.


FICHA TÉCNICA DA TANGERINA

Principais ingredientes a cada 100 g

Calorias 50
Carboidratos 10,9 g
Proteínas 0,8 g
Gorduras 0,6 g
Vitamina A 3.015 U.I.
Vitamina B1 – tiamina 100 mcg
Vitamina C – ácido ascórbico 46,8 mg
Sódio 216 mg
Cálcio 41 mg
Fósforo 18 mg
Enxofre 9 mg
Magnésio 5,55 mg
Ferro 0,3 mg


RECEITUÁRIO


MEDICINA POPULAR

Chá calmante

Ferva 1 colher (sopa) de folhas de tangerina picadas e 1 colher (sopa) de flores em meio litro de água, deixe amornar tampado, coe e tome ao longo do dia.

CULINÁRIA

Licor de tangerina
Em um vidro de boca larga com tampa despeje 2 kg de tangerinas morcote inteiras bem lavadas. Regue com ½ kg de açúcar cristal, recheie com aguardente de boa qualidade até cobrir as tangerinas. Tampe bem e mexa o vidro para dissolver o açúcar. Deixe repousar 30 dias em lugar escuro. O licor fica delicioso e as tangerinas ficam licorosas, podendo ser servidas à parte. Essa mesma técnica pode ser usada para fazer licor de jabuticaba, pitanga e ameixa vermelha. (Receita de J. D. Leonel)

Tangerina de Nuporanga (SP)
Misture 2 xícaras (chá) de açúcar e 4 gemas. Bata até ficar esbranquiçado. Continue batendo e acrescente 1 copo americano de suco de tangerina, 2 xícaras (chá) de farinha de trigo e 1 colher (sopa) de fermento em pó, tudo peneirado junto. Mexa bem e acrescente uma pitada de sal. Agora bata 4 claras em neve firme e misture na massa com delicadeza. Despeje em forma untada e polvilhada com farinha de trigo. Pré-aqueça o forno e asse em temperatura moderada (160 graus). Se quiser, na hora de servir regue com uma calda quente de tangerina, feita com suco de tangerina levado ao forno com açúcar até dar ponto de calda.(Receita do dr. Flávio Rotman)

Bolo de tangerina com calda dura
Bata no liquidificador 3 ovos, ½ xícara (chá) de óleo e 1 copo de 200 ml de suco de tangerina concentrado por 2 minutos. Depois adicione 2 xícaras (chá) de farinha de trigo, 1 colher (sopa) de fermento em pó e 2 xícaras (chá) de açúcar e volte a bater por cerca de 4 minutos. Unte uma forma com furo no meio com óleo e polvilhe com farinha de trigo. Leve ao forno pré-aquecido médio por 40 minutos. Depois, quando o bolo ainda estiver morno, cubra com a seguinte calda: misture ½ xícara (chá) de suco de tangerina concentrado com 2 xícaras (chá) de açúcar de confeiteiro até formar um creme.

Doce de casca de tangerina
Corte em tiras as cascas de 4 tangerinas, ponha numa panela, cubra com água e leve ao fogo para aferventar. Escorra numa peneira. Coloque as cascas num recipiente e cubra com água gelada, deixando de molho durante três dias. Troque a água duas vezes por dia, mantendo na geladeira. No terceiro dia, retire a água e junte as cascas com 3 xícaras (chá) de açúcar, 1 xícara (chá) de água, 4 pauzinhos de canela e 1 colher (sopa) de cravos da índia. Leve ao fogo brando, mexendo até secar.




OS PODERES DA VITAMINA C

Diferentemente do que acontece com outros animais, como os ratos, os seres humanos não tem capacidade de sintetizar a vitamina C em seu próprio organismo. Por isso têm de obtê-la pela alimentação e principalmente pelo consumo de vegetais. A falta total de vitamina C faz o organismo entrar em colapso, pois o sistema imunológico pára de funcionar e o organismo se predispõe a hemorragias mortais. Veja a seguir as principais propriedades da vitamina C.
Favorece a cicatrização
A vitamina C favorece a aglutinação das plaquetas, estancando sangramentos.

Fortalece o sangue e as veias

A vitamina C fortalece as paredes dos capilares sanguineos. Favorece a absorção intestinal de ferro, que participa da formação das moléculas de hemoglobina, favorecendo a renovação do sangue. Também participa da síntese de ácido fólico, que ajuda a amadurecer as células do sangue, brancas e vermelhas.
Combate a arteriosclerose
A vitamina C ajuda a formar sulfato de colesterol, que dilui ajuda a remover o colesterol que circula entre o fígado e o intestino, ajudando a baixar os seus índices no organismo.

Combate o cansaço
A vitamina C aumenta o tônus muscular e o poder de resistência à fadiga.

É anticâncer
Além de prevenir o câncer por causa de suas propriedades anti-radicais livres, a vitamina C ajuda a tratar e controlar o câncer em pacientes dessa doença, aumentando sua sobrevida.

É antialérgica
A vitamina C diminui a concentração de histamina no sangue, o que ajuda no tratamento de casos de sensibilidade como asma, febre-do-feno e doença do soro.

É depurativa depois do uso de antivirais
A vitamina C ajuda a limpar e fortalecer o organismo em tratamento com antivirais, como aciclovir, que combate as varias formas de herpes

Melhora o estado pós-cirúrgico
Melhora e apressa a cicatrização. Combate estados inflamatórios.

Fortalece ossos e dentes
Participa dos processos de formação dos ossos da dentina.

É antiinfecciosa
Fortalece o sistema imunológico e estimula a formação de anticorpos contra micróbios invasores.

Ajua a produzir hormônios sexuais
Age na formação do ácido araquidônico, que é formador das prostaglandinas F2, alfa e E2, que geram hormônios sexuais.

Protege contra álcool e tabaco
Tem ação protetora contra ação tóxica do álcool e do tabaco.

Aumenta resistência contra fraturas
Acelera o metabolismo do colágeno e da formação dos osteoblastos (células formadoras dos ossos)


A vitamina C e os idosos
O médico Flávio Rotman, em seu livro A Cura Popular pela Comida, chama a atenção para os estudos relacionando o pior aproveitamento da vitamina C por parte do organismo dos idosos e a maior necessidade de ingestão dessa vitamina, que pode ser feita pelo consumo diário de frutas cítricas. Para ele, os 50 mg por dia recomendados nos Estados Unidos (quantidade contida em uma laranja ou suco de 2 limões) seria insuficiente para os idosos. Ele também chama a atenção para a não-toxicidade da vitamina, que pode ser ingerida em maiores quantidades.




Principais Rutáceas
Nativas da Ásia, as laranjas e as frutas cítricas pertencem todas a uma mesma família: a das Rutáceas, que abriga outros membros espalhados pelo mundo a partir de pontos de irradiação asiáticos. É o caso da arruda e o jaborandi, que são rutáceas descendentes de ancestrais comuns à laranja. Veja a seguir as principais espécies dessa família, que tem 150 gêneros e mais de 1.500 espécies.

Laranjeiras
Derivam supostamente da espécie Citrus aurantium, nativa do sudoeste da Ásia.
Citrus amara, também chamada laranja amarga ou laranja azeda. É ingrediente tradicional da medicina popular, por suas propriedades sedativas. Serve para fazer a água de flor de laranjeira, o famoso licor de curaçau, o óleo de neróli. A essência da flores também é usada em perfumaria. Também com essas laranjas se fazem os doces e compotas de laranja das receitas tradicionais. A parte branca da casca dessa fruta encerra alto teor de hesperidina, que age como tônico, pois a hesperidina aumenta a quantidade de adrenalina no sistema nervoso.

Citrus brasiliensis ou laranja-da-bahia
É uma mutação da variedade seleta ocorrida na Bahia, que gerou uma variedade sem sementes que se multiplica por enxertia. A laranja-da-bahia se caracteriza pelo umbigo que traz um fruto em miniatura. É uma espécie mutante que só se multiplicou graças à preservação pelo homem. Foram mudas da laranja-da-bahia que deram origem aos laranjais da Flórida, nos Estados Unidos.

Citrus sinensis
Também chamada laranja da china, laranja caipira ou laranja doce.

Citrus lumia, também chamada laranja-lima.

Citrus pyriformis, também chamada laranja-pêra.

Citrus depressus, também conhecida como laranja seleta, ou seleta-do-rio.

Citrus japonica, conhecida como laranja kinkan ou laranja japonesa. O fruto tem o tamanho de uma azeitona grande e pode ser comido com a casca. Produz excelentes geléias.

Limoeiros

Citrus limonum, o limão comum, ou limão miúdo, é originário da índia. Seu suco contém grande quantidade de vitamina C.

Citrus limonum variedade edulis, também conhecido como limão doce ou limão-cajá, é nativo da Ásia e seu sumo é doce.

Citrus medica variedade limon, também chamado limão-galego, é nativo da Pérsia. Seu suco é digestivo. Por causa de sua resistência a doenças e a seu crescimento vigoroso, é frequentemente usado como cavalo para enxertos com outras espécies de cítricas.

Citrus migarabia, conhecido como limão-cravo ou laranja vinagreira.

Citrus trifoliata é um arbusto originário da china cujos frutos não são comestíveis.


Limeiras

As limas podem ser doces, como as variedades lima-da-pérsia, lima-de-umbigo, lima palestina, lima Colúmbia e lima kusaie. Mas também existem limas ácidas, que muitos confundem com os limões. Entre as limas ácidas destacam-se as variedades limão-galego, limão thaiti, limão mexicano e limão sutil. Veja a seguir as principais variedades de limas doces.

Citrus bergamia, originária do Sul da Ásia é conhecida como lima comum ou lima-da-pérsia

Citrus limetta, conhecida como lima de bico ou lima de umbigo, é uma árvore forte que é usada como cavalo para enxertar outras laranjas

Tangerineiras

Citrus nobilis, também chamada bergamota, tangerina, mexerica, laranja-cravo ou mandarina.

Citrus melitense também chamada tangerina sanguinea.
Grapefruits

A Citrus decumana e outras variedades também são conhecidas como pomelo ou toranja. Produzem grandes frutos de suco agradável de sabor ácido amargoso. A entrecasca serve para fazer doces.


RECEITURÁRIO DE GRAPEFRUIT

CULINÁRIA

Geléia de Grapefruit

Retire a parte colorida das cascas de 6 grapefruits e corte-as em tirinhas. Depois raspe a parte branca da casca que ficou nas frutas e corte-as ao meio. Esprema para tirar todo o suco e guarde os bagaços e a semente num pano fechado. Junte o suco e a casca das frutas e complete com água para dar 15 xícaras. Mergulhe o pano com os bagaços nesse suco e deixe de molho por 12 horas. Depois cozinhe por duas horas, sem tampar. Elimine o saquinho, espremendo bem. Para cada xícara (chá) do líquido espremido do saquinho, acrescente 1 xícara (chá) de açúcar. Misture no suco e mexa até dissolver. Leve ao fogo até dar ponto de geléia. Guarde em potes esterilizados.

Cidreira

A Citrus medica variedade cidra é uma árvore da Índia e da Indochina que produz a cidra, fruto muito aromático cuja casca serve para fazer doces (ver receita em grape-fruit). Foi a primeira fruta cítrica a ser conhecida pela civilização ocidental, ainda na Antiguidade. Entre as variedades da Citrus medica destacam-se as seguintes: corsa, de forma ovalada e polpa doce; diamante, de forma arredondada e polpa amarga; comprida; e etrong.



RECEITUÁRIO DE CIDRA

CULINÁRIA

Doce de cidra

Lave bem 2 cidras medias e seque-as. Rale as cascas com ralador fino, tomando cuidado para não ralar a polpa. Deixe de molho as cidras raladas num recipiente com água durante três dias, trocando a água três vezes ao dia. No quarto dia, coloque as cidras numa panela com 1 litro de água e aqueça por 10 minutos, até começar a ferver. Em seguida deixe esfriar e esprema num pano para retirar o máximo de líquido. Leve essa cidra ao fogo numa panela com 1 kg de açúcar cristal e 4 cravos da índia. Cozinhe por 40 minutos, até a cidra ficar cozida e a calda encorpar. Apague o fogo, deixe esfriar e guarde em recipiente esterilizado.

Arruda
A Ruta graveolens é uma ervinha originária da Europa e cultivada em todo o mundo como ornamental, mágica e medicinal. As folhas contém muitos princípios ativos (um óleo volátil chamado rutina, além de metilmononilquetona e metil-heptilquetona), que a recomendam como estimulante, antiespasmódica e inseticida, capaz de matar piolhos dos cabelos. Essa planta deve ser usada com critério, pois pode provocar hemorragias graves. O sumo de suas folhas também deixa a pele sensível aos raios solares, podendo provocar queimaduras. Na crendice popular, é considerada eficaz contra o mau-olhado.


RECEITUÁRIO DE ARRUDA

MEDICINA POPULAR

Chá estimulante da menstruação
(emenagogo)
Despeje 1 xícara de café de água fervente sobre 1 colher (café) de folhinhas de arruda sem os cabinhos, deixe amornar tampado e coe. Tome três vezes ao dia, durante dois ou três dias. Se a menstruação não vier, procure um médico.
Chá contra cólicas intestinais e dores reumáticas
Despeje uma xícara de água fervente sobre 1 colher de sopa de folhinhas sem os cabos, deixe amornar tampado e coe, tomando aos goles nos dias das crises.
Inalação contra enjôos
Despeje 2 colheres (sopa) de folhas em 1 litro de água fervente e inale os vapores por alguns minutos.
Compressas contra conjuntivite e inflamação nos olhos
Despeje meio litro de água fervente sobre 4 colheres de sopa de folhinhas, deixe amornar tampado, filtre em coador de papel novo e usar em compressas de gaze várias vezes ao dia. Não tome sol no lugar das compressas.
Compressas para resolver furúnculos
Aplique folhas frescas e cubra com gaze. Não tome sol no local exposto às folhas.

Jaborandi
Nativo do Brasil, o Pilocarpus microphyllus é um arbusto em cujas folhas está contido um alcalóide chamado pilocarpina, que em pequena quantidade em uso tópico é capaz de fazer crescer cabelos. Seu uso interno é venenoso e entre os sintomas de intoxicação estão o aumento da salivação e dos movimentos peristálticos dos intestinos.



RECEITUÁRIO DE JABORANDI

MEDICINA POPULAR
Tônico contra queda de cabelos
Deixe 2 colheres (sopa) de folhas picadas em infusão por sete dias em 1 copo de álcool de cana a 70 graus. Use para massagear o couro cabeludo diariamente.
Chá expectorante e anti-reumático
Despeje meio litro de água fervendo sobre 2 colheres (chá) de folhas picadas e deixe esfriar tampado. Tome pela manhã e à tarde.

Xarope antitosse
Acrescente 2 xícaras (chá) de açúcar mascavo à receita de chá expectorante e ferva até dissolver bem. Tome até 3 colheres (sopa) ao dia.

Madeiras nativas brasileiras

São também da família das Rutáceas muitas árvores tipicamente brasileiras. Veja informações sobre algumas a seguir.
Pau-marfim

A Balfourodendron riedelianum ocorre de Minas Gerai até o Rio Gande do Sul, nas florestas da bacia do Rio Paraná e do Alto Uruguai. Atinge de 20 metros a 30 metros de altura.

Tingui-preto
A Dictyoloma vandellianum é nativa da Mata Atlantica, da Bahia até São Paulo. De copa arredondada, é bastante ornamental com suas flores amarelas. A madeira é de boa qualidade. Sua altura vai de 4 metros a 7 metros

Canela-de-cutia
A Esenbeckia grandiflora vegeta de Minas até o Rio Grande do Sul, em florestas subtropicais. Pode ser usada em paisagismo. Sua altura vai de 4 metros a 7 metros.

Guarantã
A Esenbeckia leiocarpa, também chamada pau-duro, dá nome a uma cidade do interior de São Paulo, por ser abundante na região. Árvore da Mata Atlântica, pode ser usada em paisagismo e produz madeira de ótima qualidade. Atinge de 20 metros a 30 metros de altura.

Canela de veado
A Helietta apiculata vegeta do Mato Grosso do Sul até o Rio Grande do Sul e destaca-se pela sua bela folhagem e pelo seu porte esguio e delicado, que a recomenda para arborização de ruas estreitas. Atinge de 10 metros a 18 metros de altura.

Mamica de porca
A Zanthoxylum rhoifolium vegeta em todo o Brasil. Atinge de 6 a 12 metros de altura e possu copa cerrada, com boa sombra, o que a recomenda para arborização urbana.




Frutas campeãs de vitamina C: camucamu e acerola

Apesar de as frutas cítricas serem sinônimo de vitamina C, outras frutas as superam no suprimento dessa vitamina com verdadeiras megadoses. A fruta mais rica nessa vitamina é brasileira e vem da Amazônia, o camucamu, fruto do camucamuzeiro (Myrciaria dubia), um arbusto parecido com o café. Pertence à família das Mirtáceas, a mesma da jabuticaba e da goiaba. O camucamu é um fruto vermelho, de polpa ácida. Embora só tenha começado a ser divulgado a partir dos anos 1970 do século 20, essa planta já tinha sido descrita em 1823 pelo naturalista Von Humboldt, que desconhecia suas propriedades. Conhecido na Amazônia como araçá-d’água, possui até 3.000 mg de vitamina C para cada 100 g de polpa e até 6.000 mg de vitamina C para cada 100 g de casca.
Para se ter uma idéia, as necessidades diárias de uma pessoa não ultrassam muito o teor de uma laranja (45 mg por 100 g de polpa), o que significa que o camucamu é uma megadose de vitamina de origem natural. Cada planta produz de 5 quilos a 25 quilos de frutos. Quase toda a produção brasileira é exportada e trasformada em pó para fabricar balas e pastilhas de vitamina C natural.
Outra campeã de vitamina C é a acerola, fruto da aceroleira (Malpighia emarginata ou Malpighia glabra, da família das Malpigiáceas), árvore da América Central também conhecida como cereja-das-atilhas. Os frutos pequenos, ficam vermelhos quando maduros por causa de pigmentos conhecidos como antocianinas, principalmente a pelargonidina e a malvidina. É rica em vitamina C (de 1.000 a 2.000 mg em cada 100 g de polpa), vitaminas do complexo B (como B1, B2 e B3, além de cálcio, fósforo e ferro. Dentre as dezenas de variedades de acerola cultivadas no Brasil destacam-se a apodi (BRS 235), a cabocla, a cereja (BRS 236), a frutacor (BRS 238) a okinawa, a Olivier, a roxinha (BRS 237) e a rubra.

BIBLIOGRAFIA
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SITES
Pesquisas genéricas
WWW.google.com.br
WWW.altavista.com
WWW.wikipedia.com.br
WWW.todafruta.com.br
Site de receitas
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Pesquisas acadêmicas
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Sites específicos
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