sábado, 24 de julho de 2010

TUDO SOBRE COCO, PUPUNHA, AÇAÍ E PALMITOS

ALIMENTOS PODEROSOS

O coco-da-baía é o fruto do coqueiro-da-baía (Cocus nucifera), a mais importante das palmeiras úteis para o homem. Na verdade ela veio da Ásia (arquipélago Malaio, sul da Índia e ilha de Sri Lanka, no oeste da áfrica) e consta que foi introduzida na Bahia pelos colonizadores portugueses. Chega até 30 metros de altura com caule chegando a medir 70 cm de diâmetro. Vive até 100 anos, mas só produz comercialmente nos primeiros 30 anos.
As principais variedades são a gigante, descendente dessa asiática e tradicionalmente cultivada há séculos, e a anã, que cresce até 8 ou 10 metros. A variedade gigante produz frutos maiores, de cerca de 1,5 kg, com mais polpa, enquanto a variedade anã, que produz frutos menores (até 1 kg) é mais utilizada para fornecer água de coco.
Oficialmente o coco-da-baia chegou à baía em 1533: uma grande quantidade de mudas foi trazida num navio por colonizadores portugueses vindos da Índia. O fruto se espalhou com tanta rapidez que logo cobria extensas áreas do litoral do que hoje são as regiões Nordeste e Norte do Brasil.
Alguns autores acham que já havia cocos-da-baía nas costas brasileiras quando os colonizadores chegaram e que a data de 1533 refere-se unicamente à introdução do coco na Bahia. Para o botânico Pio Corrêa, como essa palmeira dá na orla marítima (está adaptada à umidade das marés e ao contato com a água salgada), pode ter sido em algum momento também trazida da Ásia para algumas regiões do Brasil, principalmente o Pará, por correntes marítimas. Assim, já existiria coco-da-baía no Brasil antes de os portugueses terem levado suas mudas para a Bahia...
O coco é revestido por um envoltório fibroso que tem uso industrial, pois serve para fazer tecidos rústicos, cordas, sacos e esteiras. Serve também na medicina caseira, por causa da grande quantidade de tanino, que lhe confere propriedades adstringentes e combate os radicais livres (átomos soltos de oxigênio resultantes do lixo metabólico do organismo ou de poluição que podem desorganizar núcleos de células). Esse envoltório fibroso também é usado para fabricar vasos e substrato para orquídeas e até como combustível.
Dentro do envoltório fibroso, que na verdade é o pericarpo do fruto, existe uma “cabaça” dura, que contém a polpa do coco e sua água. Essa cabaça é de matéria lenhosa e em alguns locais é usada para artesanato (cuias, copos, farinheiras, lembranças de viagem etc.) Pio Correa, um clássico da literatura botânica brasileira, conta que, na índia e na Birmânia, há seitas que consideram o coqueiro sagrado. Lá, com a parte dura do coco lá são feitos colares e rosários, como os usados pelos boistabs, adoradores de Vishnu. Pio Corrêa explica que os indianos ofertam frutos do coqueiro aos deuses e que em muitas localidades daquele país se comemora “o dia do Coqueiro”, “que coincide com a lua cheia do mês de agosto e é vivamente festejado”.
Quando o fruto não amadureceu, mas a casca interna já está dura, ele se mantém cheio de um líquido, a água de coco, que é um potente remineralizante. Em 100 ml de água de coco há apenas 20 calorias. Mas a polpa é que é imbatível, com gorduras de boa qualidade, fibras e proteínas com aminoácidos complexos. Se não fosse a alta quantidade de gordura, o coco poderia substituir a carne.
A polpa do coco possui fibras que regularizam o intestino, aminoácidos e substâncias antibióticas que combatem diarréia e vermes. Tem muito potássio, o que indica seu consumo para cardíacos e pessoas que estejam fazendo tratamentos com diuréticos e remédios à base de cortisona, que costumam reduzir os índices de potássio no sangue.
Por causa de seu poder cicatrizante e adstringente, a polpa do coco verde é um remédio para quem tem hemorróidas. O leite (veja receita em CULINÁRIA) tem amplo uso em cosmética. Com todas essas utilidades, o fruto não podia deixar de ser internacionalmente reconhecido
Só para dar uma idéia das boas qualidades alimentícias do coco, Pio Corrêa cita alguns dos aminoácidos presentes na globulina da polpa: arginina, cistina, histidina, lisina e triptofano (o mesmo usado em remédios antidepressivos, pois participa das reações químicas que dão sensação de bem-estar no cérebro). Em pequena quantidade, essas substâncias estão presentes na água do coco, que vai se transformando em polpa à medida que o fruto amadurece. Outro dos benefícios do coco é a grande quantidade de potássio, que combate casos de queda desse sal.

Saturado, mas saudável

O óleo extraído da polpa do coco ocupa o quinto lugar mundial no comércio de óleos. Ele é extraído dos cocos de mau aspecto, que não servem para serem vendidos in natura (cerca de 50% da produção). Em vários países, e também no Brasil, a banha de coco é usada na alimentação, como substituto da manteiga em bolos e assados. A gordura de coco é formada principalmente por dois óleos o ácido láurico e o monolauril, que favorecem a oxidação dos óxidos graxos e sua transformação em energia. Quer dizer, o coco queima o colesterol ruim do corpo, transformando-o em energia. É uma gordura saturada que se comporta de forma diferente das gorduras saturadas das carnes, que se depositam nas artérias. Além disso, a gordura do coco regulariza o funcionamento da tireóide, acelerando o metabolismo, o que facilita os regimes de emagrecimento.
Não é recomendável, entretanto, usar o óleo de coco para frituras, pois as altas temperaturas transformam suas gorduras em ácido oléico, que em excesso é prejudicial a saúde. De qualquer forma o óleo de coco é melhor para cozinhar do que os poliinsaturados (como milho, soja, girassol e canola), que geram gorduras trans, ligadas a doenças crônicas e a casos de câncer.
Segundo Pio Correa, no final dos anos 1920, a quantidade de coqueiros no Brasil passava dos “quatro milhões de indivíduos, metade no Estado da Bahia e a outra metade em todos os demais, desde o Pará até o Norte do Estado de São Paulo, aliás a maior parte desde o Ceará até Pernambuco”.
No começo do século 21, a procura por coco-da-bahia e água de coco tinha aumentado, mas as plantações tinham diminuído vertiginosamente por causa da especulação imobiliária, que transformou o hábitat dos coqueiros, que é a orla marítima, em condomínios residenciais. Várias empresas de processamento do coco tiveram de fechar as portas. A produção brasileira total, atualmente de cerca de 250 mil toneladas anuais, é consumida no mercado interno. Como acontece com a castanha-do-pará, o mercado do coco está sendo cada vez mais restringido pela ocupação humana do habitat dessa planta, o que faz os preços aumentarem.

“O brasileiro não conhece... e nem devia conhecer...”
Pio Corrêa chama a atenção para um produto do coco que no Brasil “não é aproveitado nem há necessidade de aproveitar, mas que em outros países tem considerável importância: (...) a seiva ou vinho de coco, que se obtém por incisões na parte superior do espique [palmito superior do coqueiro, de onde sai o broto] ou muito melhor dos pedúnculos [cabos dos frutos em formação] e o qual tem sabor doce e agradável no momento da extração (...), sendo reputado anti-hemorroidiário (...). Depressa, porém, se torna ácido e intoxicante (callu dos hindus, toddy, dos ingleses). (...) Submetido a ebulição, esse suco dá açúcar (jagguary dos hindus) e, destilado, dá 25% de aguardente (arrak dos hindus, tuba, no México e nas Filipinas), bebida fortíssima apreciada e consumida no Oriente e na própria Inglaterra, mas que os hindus temperam extravagantemente com folhas e frutos triturados de estramônio (Datura stramonium L.) e os mexicanos aromatizam com frutos diversos.” (Dicionário das Plantas Úteis no Brasil e das Exóticas Cultivadas, volume 2).
Uma das curiosidades desse texto sobre os usos antigos do coqueiro-da-baía e a referência ao nome inglês toddy - que, de bebida alcoólica fortíssima, virou achocolatado para acompanhar o café da manhã... Outra curiosidade é a bebida indiana que mistura aguardente de seiva de coco de alto teor alcoólico com estramônio, planta altamente alucinógena, parente da beladona: com certeza uma viagem garantida para quem se aventura...


O poder das fibras

Um dos componentes da polpa do coco, as fibras, são importantes itens da alimentação, pois regularizam os intestinos. As fibras são muito freqüentes nos vegetais e é por isso que os vegetarianos têm menos problemas de intestino preso. As fibras são componentes contidos nas paredes das células dos vegetais que não são digeríveis pelo intestino e não fornecem energia. Esses alimentos “vazios”, entretanto, aumentam o bolo das fezes e agem como vassouras, soltando das paredes dos intestinos placas de gordura, muco contaminado e outras impurezas. Por isso as fibras também diminuem a quantidade de colesterol circulante.

Existem dois tipos de fibras: as solúveis e as insolúveis. As fibras solúveis são constituídas por gomas, pectinas, mucilagens e alguma formas de celolose macia. São elas que aumentam o bolo fecal e limpam a superfície interna dos intestinos. Já as fibra insolúveis são constituídas pela celulose, a parte dura dos vegetais. Elas aceleram o tempo do transito intestinal e também varren a parte interna dos intestinos.

O doutor Flávio Rotman, autor de A Cura Popular pela Comida, chama a atenção para os problemas de saúde causados pela falta de fibras na alimentação: “obstipação funcional, hérnia de hiato, moléstia da vesícula biliar, apendicite, diverticulite, tumores no cólon e reto, hemorróidas”. Ele também relaciona a falta de fibras com doenças cardiovasculares, como “arteriosclerose coronária, veias varicosas e tromboses de veias profundas.”
Rottman sugere que é possível ingerir fibras diariamente, porque elas se espalham em diferentes alimentos, fáceis de encontrar ao longo do dia: coco, amêndoas oleaginosas, pão integral, farelo natural, farelo de soja, cereais, frutas com casca como figo, bagaço de laranja, etc. e verduras.
É bom consumir quantidades iguais de fibras solúveis e insolúveis, num total entre 20 g a 30 g diárias. Mas as fibras também não devem ser ingeridas em excesso pois mais de 40g ou 50g de fibras podem interferir com a absorção de zinco e cálcio, principalmente em crianças e idosos.

FICHA TÉCNICA DO COCO-DA-BAHIA

Principais ingredientes a cada 100 g
Calorias – polpa verde 131
Calorias – polpa madura 302
Calorias – coco desidratado 600
Calorias – água de coco 20
Proteínas – polpa verde 1,9 g
Proteínas - polpa madura 3,5 g
Proteínas - coco desidratado 8,3 g
Proteínas – água de coco 0,7
Proteínas – leite de coco 2 g
Carboidratos – polpa verde 4g
Carboidratos - polpa madura 13,7 g
Carboidratos – coco desidratado 20 g
Carboidratos – água de coco 3,7 g
Gorduras – polpa verde 11,9 g
Gorduras – polpa madura 27,2 g
Gorduras – coco desidratado 60 g
Gorduras – água de coco 0,2 g
Gorduras – leite de coco 18 g
Potássio – polpa verde 144 mg
Potássio – polpa madura 320 mg
Potássio – coco desidratado 543 mg
Potássio – água de coco 250 mg
Fibras – polpa verde 1,5 g
Fibras – polpa madura 3,8 g
Fibras – coco desidratado 10 g
Fibras – água de coco 1,1 g
Cálcio – polpa madura 30 mg
Fósforo – polpa madura 83 mg
Ferro – polpa madura 1,8 mg
Vitamina B1 – polpa madura 0,04 g
Vitamina B2 - polpa madura 0,03 g
Vitamina C - polpa madura 4 mg

RECEITUÁRIO DA MEDICINA POPULAR

Para repor sais minerais
Tome água de coco à vontade, principalmente de manhã e de tarde.

Contra vermes
Coma 4 colheres (sopa) de polpa de coco verde em jejum, pela manhã, e 1 colher (sopa) de noite durante 1 semana.

No tratamento das hemorróidas
Ferva 1 xícara de chá da casca fibrosa que envolve o coco durante 10 minutos. Tampe, deixe esfriar e coe. Faça banhos de assento, esfregando os locais doloridos com polpa de coco verde. Paralelamente, tome água de coco e ingira polpa de coco verde ao longo do dia. A circulação melhora e as hemorróidas tenderão a regredir.

Contra artrite e reumatismo
Aqueça 3 xícaras (café) de leite de coco, acrescente 1 xícara (café) de alho picado, 1 xícara (café) de gengibre picado e 1 xícara (café) de pimenta malagueta amassada. Cozinhe em fogo superbrando por 10 minutos. Espere amornar e coe espremendo num pano. Use para massagens ou compressas.

Contra diarréia
Queime polpa de coco picada até virar carvão. Tome 1 colher (sobremesa) diluída em ½ xícara (chá) de água fria após cada evacuação.

Contra gota e ácido úrico
Passe na centrífuga 1 pepino médio e ½ cenoura média. Misture com 1 copo americano de água de coco e tome 3 vezes ao dia, 15 dias por mês.

Xarope contra a tosse
Faça um orifício em 1 coco verde e introduza mel ou melaço em seu interior misturando com a água. Tape o orifício e mergulhe o coco em água para ferver em banho maria por 40 minutos, até que a polpa se dissolva. Abra o coco e beba a geléia que se formou às colheradas durante o dia.

COSMÉTICA


Óleo de banho contra pele ressecada
Faça massagens com gordura de coco aquecida em todo o corpo e nos cabelos por 15 minutos. Em seguida, tome um banho morno, lavando-se com sabonete neutro.

Contra cabelos desidratados
Esfregue 2 xícaras (café) de gordura de coco derretida e amornada, massageie por 5 minutos. Depois disso, cubra com uma toalha quente por mais 10 minutos. Lave com sabonete neutro, sob água morna.

CULINÁRIA

Banha de coco: faça você mesmo
Rale a polpa de 1 coco maduro e ponha num saco de pano bem amarrado. Mergulhe esse saco numa vasilha com água quente e ferva durante 5 minutos. A gordura vai flutuar na água e pode ser retirada com uma colher, quando esfriar. Pode ser usada em culinária, cosmética e medicina popular.

Leite de coco
Descasque 1 coco grande ou 2 pequenos, retirando a película escura que envolve a polpa. Pique e bata no liquidificador com 2 copos americanos de água bem quente. Depois que amornar, coe espremendo num pano. Seque a polpa no sol em bandejas em forno superbrando. Guarde o leite em geladeira, pois não tem conservantes. Use para fazer refrescos, bolos, doces e pudins.

Bolo de coco da dona Benta
Faça uma calda em ponto de pasta com 500 g de açúcar e 1 e 1/2 copo americano de água. Acrescente 12 gemas, 125 g de manteiga, 2 colheres (sopa) de farinha de trigo, 125 g de amêndoas picadas, 1 copo americano de leite e a polpa de 1 coco ralado. Misture tudo e leve ao forno quente em fôrma untada até cozinhar e dourar a superfície.


Biscoitos de coco
Bata 6 colheres (sopa) de manteiga na temperatura ambiente com 6 colheres (sopa) de açúcar, junte 2 gemas, uma a uma, e as 2 claras batidas em neve. Volte a bater, acrescentando 13 colheres (sopa) de farinha de trigo, 6 colheres (sopa) de coco ralado, 2 colheres (sopa) de leite e 1 colher (chá) de fermento em pó. Disponha a massa numa superfície lisa enfarinhada, faça bolinhas, achate-as um pouco com a palma da mão e passe-as em açúcar. Asse em forno regular em tabuleiro untado forrado com papel-manteiga também untado.

Rosquinhas de coco e araruta
Misture 1 prato de sobremesa de açúcar com 1 colher (sopa) cheia de manteiga na temperatura ambiente. Junte 1 prato fundo de farinha de araruta peneirada, 2 ovos e 1 coco ralado. Amasse tudo muito bem e faça as rosquinhas. Asse em forno médio em tabuleiro untado de manteiga e polvilhado com farinha de rosca.

Bombom de coco
(receita austríaca)
Com uma colher de pau, bata 14 colheres (sopa) de manteiga à temperatura ambiente até obter um creme. Junte 12 colheres (sopa) de açúcar de confeiteiro e bata até incorporar. Acrescente 2 colheres (sopa) de café forte sem açúcar, a casca ralada de 1 limão e 1 xícara (chá) de coco ralado, mexendo sempre. Leve à geladeira por 2 horas e faça pequenas bolas. Passe em ½ xícara (chá) de coco ralado. Deixe na geladeira até a hora de servir.

Manjar branco
No final da Idade Média e no Renascimento, época das Grandes Navegações, o doce manjar branco já era uma iguaria portuguesa, mas era muito diferente do atual pela inclusão de um ingrediente, informa Luís da Camara Cascudo, em sua História da Alimentação no Brasil. Esse ingrediente era a carne de frango, considerada uma iguaria, que tornava o doce ainda mais substancial. Ele podia ser feito a bordo de uma caravela, pois no porão levavam cocos e engradados com frangos vivos para os primeiros dias de viagem...
Desde o século 18, entretanto, a receita tradicional passou a ser esta: leve ao fogo 1 litro de leite e, quando levantar fervura, despeje sobre 1 coco grande ralado. Deixe tomar gosto por alguns minutos. Coe num pano úmido, espremendo bem. Junte 4 colheres (sopa) de maisena aos poucos para dissolver bem e tempere com açúcar a gosto. Leve ao fogo mexendo sempre para não se formarem caroços. Deixe ficar um mingau grosso e despeje sobre uma fôrma molhada. Leve à geladeira por pelo menos duas horas e desenforme em prato de servir. Se quiser, acrescente calda de açúcar queimado ou de caramelo e ameixas em calda para guarnecer e dar ainda mais sabor ao manjar.

Pudim de coco com maçã
Coloque numa forma com furo no meio própria para pudim camadas alternadas de maçã (1 xícara de chá no total) picada misturada com mel (4 colheres de sopa no total), pão moído (2 xícaras de chá no total) e uvas-passas pretas (também 1 xícara de chá no total). Quando terminarem as camadas, cubra com 1 xícara (chá) de leite de soja ou de castanha-do-pará temperado com raspas de limão e mel e misturada com 1 xícara (chá) de coco ralado. Leve ao forno para assar até as maçãs ficarem macias. Deixe esfriar e leve para a geladeira por pelo menos duas horas. Desenforme e cubra com calda de ameixa preta e mel.
Pudim energético de coco
Bata no liquidificador 1 copo americano de leite, 1 copo americano de açúcar, 4 ovos, 2 colheres (sopa) cheias de farinha de trigo, 1 xícara (chá) de água e 1 pacote grande de coco ralado. Misture bem. Despeje em fôrma caramelizada e cozinhe em banho-maria, em forno moderado pré-aquecido.


UTILIDADE DOMÉSTICA

“Hormônio” enraizador
Os cientistas usam proteínas e enzimas da água de coco para fazer enraizar mudas de proveta. Você pode fazer isso em casa diluindo 1 copo de água de coco em 1 litro de água e 1 colher (café) rasa de leite em pó (quantidade suficiente para as enzimas do leite reagirem com as do coco). Misture bem e regue as plantas recém transplantadas.

PUPUNHA: PÃO CABOCLO E PALMITO

Pupunha é o fruto da palmeira pupunha (Guilielma speciosa ou Guillielma gasipaës), a mais importante da Amazônia. Além de madeira negra rajada de amarelo de boa qualidade, essa palmeira fornece um fruto amarelo comestível que dá em cachos. Chega a 20 metros de altura e a maioria das espécies tem espinhos agressivos no caule. Cada cacho contém mais de cem frutos e a palmeira começa a produzir aos cinco anos na natureza e aos três anos quando cultivada. Algumas variedades, desenvolvidas pelos índios há séculos, não têm caroço. Além da Amazônia, a palmeira também é cultivada no litoral da Bahia e de São Paulo para comercio de seu palmito.
Dentre as diversas variedades de pupunha destacam´se a Guilielma speciosa, com poucos exemplares no estado nativo, a pupunha-marajá (Guilielma speciosa variedade flava), que produz frutos verde-amarelados pequenos, a pupunha-piranga (variedade conconea), a pupunha-tapiré (variedade acharea), que produz frutos amarelo-ocre, a pupunha-mato-grossense (variedade mattogrossensis), com frutos pequenos avermelhados, a pupunha-de-jacu ou pupunha brava (varedade microcarpa), de frutos vermelho-vivos. A variedade mais comum é a pupunha-marajá, com frutos não tão oleosos como os das outras pupunhas. Mas as culturas mais sistemáticas tem sido feitas com a pupunha-tapiré, que produz em menos tempo e não tem espinhos no caule, facilitando a colheita.
A polpa do fruto, apesar de oleosa, é rica em amido, o que permite o preparo de uma farinha amarela, de cheiro e sabor agradáveis. Não tem glúten, o que não a torna aglutinante, necessitando ser incorporada a outras farinhas para fazer mingaus e bolos. É rica em vitamina A.
A amêndoa tem mais de 30% de óleo comestível, de cor amarelo-avermelhado, sabor suave e agradável que lembra o das amêndoas doces. O fruto cozido ou assado (cujo gosto lembra o da castanha européia, embora não seja doce, é usado como substituto do pão no café da manhã do caboclo amazônico.
Produz também palmito de boa qualidade, sendo usada no reflorestamento de palmitos nativos, em substituição ao açaí e à juçara, que são de desenvolvimento mais lento. Veja as vantagens do palmito de pupunha em PALMITOS.

FICHA TÉCNICA DA PUPUNHA
Principais ingredientes em cada 100 g de polpa
Calorias 273,5 Cal
Proteínas 3,3 g
Gorduras 6,0 g
- gorduras saturadas 2,2 g
- gorduras monoinsaturadas 3,3 g
- gorduras poliinsaturadas 0,5 g
Colesterol 0 g
Carboidratos 34,9 g
Fibras 2,0 g
Vitamina A 1,1 mg
Vitamina C 18,7 mg
Tiamina (vit. B1) 0,045 mg
Riboflavina (vit. B2) 0,135 mg
Niacina 0,81 mg



RECEITUÁRIO

CULINÁRIA


Pupunha no café da manhã
Descasque e cozinhe algumas pupunhas em água e sal. Jogue a água fora, pois dissolveu cristais de oxalato de cálcio presentes no fruto, e sirva com manteiga, acompanhado de café com leite.

Pirão de pupunha
Cozinhe 20 pupunhas em água e sal. A água de cozimento deve ser jogada fora pois contém oxalato de cálcio, que e indigesto e causa pedras nos rins e na vesícula. Separe a gordura amarela que se formar na panela, pois a pupunha é rica em vitamina A. Depois descasque, corte no meio, tire as sementes e passe na máquina de moer carne. Acrescente a gordura que foi separada. Adicione água ou leite até adquirir consistência de pirão.

Pirão para congelar
Cozinhe frutos de pupunha com água e sal, deixe esfriar, reserve a gordura que ficar na superfície e jogue a água do cozimento fora. Retire as cascas e as sementes. Acrescente 1 parte de leite para cada 2 partes de pupunha e bata no liquidificador para formar um pirão. Adicione a gordura da pupunha e 1 colher (sopa) de suco de limão para cada 2 copos americanos de pirão. Misture bem e coloque em potes para congelar. (Receita de Maria T. S. Cintra)


Farinha de pupunha
Escolha pupunhas com menos gordura, descasque, tire as sementes, passe na máquina de moer carne e leve ao forno superbrando para secar. Depois que a pasta secar, passe de novo na máquina de moer carne e leve ao fogo novamente se necessário. Guarde em sacos plásticos, em local escuro e ventilado. Misture com farinha de trigo ou outras farinhas para fazer pães, bolos e biscoitos enriquecidos com vitamina A.

TÂMARA

A tâmara é o fruto da tamareira (Phoenix dactylifera), palmeira da África Central, Egito e Península Arábica. A polpa é rica em glucídios (70%), cálcio, magnésio, fósforo, vitaminas A, complexo B, C e D. A grande quantidade de glicose, as proteínas de boa qualidade e as vitaminas fazem da tâmara uma bomba energética, própria para o café da manhã, por exemplo. O pó de seu caroço é usado para combater moléstias pulmonares.
É sagrada no mundo muçulmano. Adapta-se bem ao clima do Nordeste do Brasil. A mucilagem da tâmara é o terceiro ingrediente mais importante dos xaropes expectorantes mais vendidos no mundo.
A planta foi introduzida no Brasil antes de dom João VI ter montado o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em 1809, que serviu para introdução de muitas plantas estrangeiras, como a jaca, que veio da Índia, e a decorativa maria-sem-vergonha, da África. Com as nervuras das folhas pontiagudas são feitas agulhas de tricô. Há registros de plantações de tâmara nos tempos coloniais, que não tiveram sucesso comercial. Começa a produzir aos dois anos.

FICHA TÉCNICA DA TÂMARA

Ingredientes a cada 100 gramas de polpa

Calorias – ao natural 177,5
Calorias – dessecada 366
Proteínas – ao natural 1,9 g
Proteínas – dessecada 2,2 g
Cálcio – ao natural 65 mg
Cálcio – dessecada 72 mg
Fósforo – ao natural 56 mg
Fósforo – dessecada 60 mg
Ferro – ao natural 3 mg
Ferro – dessecada 2,1 mg
Vitamina A – ao natural 15 mmg
Vitamina A – dessecada 16 mmg
Vitamina B1 – ao natural 2 mg
Vitamina B1 – dessecada 7 mg
Vitamina B2 – ao natural 3,5 mg
Vitamina B2 – dessecada 8,3 mg
Vitaminca C – ao natural 30 mg
Potássio – ao natural 641 mg

RECEITUÁRIO

CULINÁRIA

Bolo de tâmaras com passas
Pique 250 g de tâmaras, 250 g de figos secos, 250 g de castanhas-do-pará, 500 g de amêndoas. Misture bem. Acrescente 500 g de uva-passa e volte a misturar até ficar homogêneo. Forre uma fôrma de pão com papel manteiga encerado e despeje a massa. Coloque um peso em cima (tijolos embrulhados em plástico-filme dão ótimos resultados) e deixe 12 h na geladeira. Desenforme e sirva cortando em fatias finas.
Harumaki de tâmaras
Esmague 300 g de tâmaras sem caroço, pique 300 g de nozes e acrescente à massa. Adicione 250 ml de rum, mexa bem e reserve. Bata 400 g de polpa de framboesa com 100 g de açúcar e 100 ml de vinho do porto e leve ao fogo até ferver. Reserve. Enrole a massa de tâmara na massa de 1 pacote de massa para rolinho primavera e leve ao forno médio (180 º C) durante 10 minutos. Sirva polvilhados com 20 g de canela em pó e 20 g de açúcar de confeiteiro, regado com a calda de framboesa e acompanhado de bolinhas de sorvete de baunilha (a receita toda usa 1 litro de sorvete de baunilha).


Molho para churrasco com tâmara.
Leve ao fogo 3 xícaras (chá) de caldo de frango, 1 xícara (chá) de vinho branco, ¼ de xícara (chá) de tomates picados sem pele, 2 tâmaras picadas sem caroço, 1 dente de alho picado, ¼ de xícara (chá) de melaço, ¼ de xícara (chá) de vinagre de maçã, 3 colheres (sopa) de echalotas picadas e ½ colher (chá) de pimenta calabresa. Acrescente sal a gosto. Ferva e reduza até obter 1 e ½ xícara (chá) de molho.

AÇAÍ CONTRA O ENVELHECIMENTO

O açaí é o fruto do açaizeiro (Euterpe oleracea), palmeira muito ornamental típica da Amazônia, que fornece palmito e um fruto energético com muitas vitaminas e relativamente poucas calorias. O açaí cresce em touceiras de até 25 pés, o que permite aproveitar os mais velhos, que já produziram frutos, para extrair o palmito (miolo da parte terminal do caule, que contém o broto). O açaí dá em longos cachos e cada fruto tem pouco mais de 1 cm de diâmetro. São roxos quando maduros. Cada palmeira dá até oito cachos. No Sul do País, outra palmeira aparentada também é chamada de açaí, a Euterpe edulis, mais conhecida como juçara, mas seu uso restringe-se ao palmito.
A polpa grossa do açaí (também chamada de “vinho de açaí”, embora não contenha álcool) é básica na alimentação de boa parte da Região Norte. O costume se espalhou por outras regiões do Brasil por causa da constatação de que é um alimento saudável, com proteínas, vitaminas e aminoácidos e relativamente poucas calorias.Seu teor de proteínas é superior ao do leite (3,5%) e ao do ovo (12,49); os aminoácidos são semelhantes aos do ovo. Tem sabor característico, ligeiramente terroso e ácido.
Antocianinas contra o envelhecimento
Como outras frutas cor de vinho, embora de famílias botânicas diferentes, como a uva, o açaí tem substâncias fotoquímicas, como antocianinas que queimam os radicais livres de oxigênio que se formam no nosso metabolismo e prejudicam as células. É uma das frutas mais ricas em antioxidantes. Por isso tem efeito de retardar o envelhecimento. Suas gorduras são monoinsaturadas e poliinsaturadas, que promovem a diluição do mau colesterol, prevenindo problemas vasculares. Possui também vitamina D, que facilita a absorção do cálcio.
Em Belém do Pará, um café da manhã típico leva suco grosso de açaí, misturada com farinha de mandioca ou tapioca e açúcar. Acompanha também pratos salgados, com farinha de peixe ou camarão seco. E também é consumido com mingau, misturado com outra farinha aglutinante e levado ao fogo. Adoçada com açúcar, a polpa de açaí é vendida em saquinhos plásticos nas ruas de Belém, para ser consumida com canudinho.


FICHA TÉCNICA DO AÇAÍ


Principais ingredientes em cada 100 g de polpa peneirada
Calorias 247
Proteínas 3,8 g
Cálcio 118 mg
Carboidratos 36 g
Lipídios 17 g
Fósforo 58 mg
Ferro 11,8 mg
Vitamina B1 0,36 mg
Vitamina B2 0,01 mg
Vitamina C 9 mg
Vitamina E 25 mg
Antocianinas 196 mg
Fibras 2,91 g
Potássio 432 mg
Magnésio 100 mg


RECEITUÁRIO

CULINÁRIA


Processo caseiro para extrair o “vinho”

Despeje os frutos com cascas em água quente e deixe por cerca de 15 minutos. Depois passe numa peneira não muito fina, espremendo com as costas de um garfo. Vai sair um suco grosso, que também é chamado o “vinho de açaí” por causa da cor, mas não contém álcool. Esse suco deve ser conservado em vasilhas de barro. Quinze quilos de frutos dão de 6 a 8 litros de “vinho”. Embora tenha menos calorias que as castanhas oleaginosas e os cocos, não se deve abusar do açaí, pois uma tigela de 300 g vale por um café da manhã, com 700 calorias.

Tigela de açaí
Despeje polpa de açaí numa tigela, acrescente a mesma medida de água quente e 3 colheres (sopa) de farinha de mandioca para cada xícara (chá) de polpa de açaí. Adoce com mel, açúcar mascavo ou adoçante. Pode substituir a água quente por leite morno ou suco de laranja frio.
Vitamina de açaí
Bata no liquidificador 400 g de polpa de açaí, 1 banana nanica picada, o suco de 1 laranja. Não bata muito para ficar um creme bem espesso. Tempere com açúcar, mel ou adoçante. Se quiser uma bebida mais estimulante, acrescente pó de guaraná, que tem altos teores de cafeína.

Frango grelhado com molho de açaí
Tempere 600 g de peito de frango desossado cortado em filés com sal, pimenta-do-reino e tomilho. Asse em grelha ou frigideira antiaderente e reserve. Agora misture 1 xícara (chá) de vinho branco, 1 xícara (chá) de caldo de legumes e 1 colher (chá) de amido de milho. Mexa até ficar homogêneo. Leve para uma panela e acrescente 4 colheres (sopa) de polpa de açaí. Ferva até engrossar, tire do fogo e acrescente 4 colheres (sopa) de requeijão. Mexa delicadamente e sirva com os filés que ficaram reservados.



RECEITAS DA MEDICINA POPULAR

Para fortalecer os olhos
Tome um copo americano de “vinho de açaí” puro e adoçado todas as manhãs quinze dias por mês.




PALMITOS

Palmito é o miolo da parte de cima do caule de qualquer palmeira. A maioria é comestível, mas o comércio restringe-se a três principais palmeiras: o açaizeiro (Euterpe oleracea) da Amazônia (veja capítulo específico), a palmeira juçara (Euterpe edulis, uma parente próxima do açaí que dá na Mata Atlântica do Sul do País) e, mais recentemente, a pupunha (Guillielma gasipaës, veja capítulo neste livro).
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de palmito. O segundo lugar é ocupado pelo Paraguai. Os principais países compradores são a França (onde o palmito é chamado coeur de palmié, ou seja, “coração de palmeira”), Estados Unidos, Canadá, Itália e Bélgica. O problema é que boa parte desse palmito exportada é extraído ilegalmente da Mata Atlântica, o que a longo prazo o condena à extinção, junto com uma multidão de aves e insetos que vivem de seus frutos. Só para se ter uma idéia, a região do Vale do Ribeira, no Sul de São Paulo, cercada de parques estaduais, fornece 90% das exportações de palmito do País.
O palmito dessa região, o juçara, é o menos indicado para ser explorado, pois constitui-se de palmeiras únicas, que morrem quando seu topo é cortado para extrair o palmito (em uma árvore de 20 metros, só cerca de 1 metro do topo contém bom palmito).

Perigo de extinção

A sangria desatada de palmitos na região sul se deve também à má-fé dos intermediários e a artimanhas legais. Como nessa região existem varias tribos de índios que são inimputáveis perante a lei, eles extraem palmito sem serem punidos e o revendem a preços irrisórios para os atravessadores.
Os atravessadores, por sua vez, como se não bastasse o dano ambiental, processam o produto e o vendem em condições inadequadas de higiene. A saída para esse impasse seria cultivar legalmente o palmito, introduzindo inclusive espécies estrangeiras, como está sendo feito nas regiões sul e sudeste.
Trata-se da palmeira-real australiana (Archontophoenix alexandrae), que foi introduzida nos municípios de Garuva, Itapoá e Brusque, em Santa Catarina, e hoje é cultivado também no Paraná, em São Paulo e região serrana do Rio de Janeiro.
O palmito dessa palmeira é similar ao da juçara. É mais uma opção para o agricultor. Uma vantagem dessa palmeira é sua beleza, permitindo que seja vendida também como árvore de reflorestamento.

Já o açaí nacional tem como vantagem o fato de formar touceiras a partir de brotos do caule rente ao solo, o que permite o aproveitamento dos troncos mais velhos em que a produção de frutos, mais lucrativa, começa a decair.
A pupunha também se presta a plantações, pois seu crescimento é um pouco mais rápido do que o da juçara, embora seu sabor seja um pouco mais amargo. Existem plantações de açaí e pupunha em várias partes do país, mas também ainda existe a extração ilegal dessas árvores, que deveriam estar protegidas.
O Instituto Agronômico de Campinas chegou a desenvolver uma espécie híbrida de açaí com juçara que vegeta sob a forma de moitas. Estão faltando plantações comerciais de todas as variedades de palmito, muito apreciadas no exterior. As quantidades compradas estão sendo limitadas pela falta do produto.

Além de alimento de gosto refinado e muito digestivo, o palmito também é remédio, como o demonstram as tradições indígenas, que empregavam o sumo do broto dessas palmeiras como cicatrizante e anti-hemorrágico.
É que a seiva do palmito é rica em taninos e aminoácidos, que combatem radicais livres e estimulam a reprodução celular, o que apressa o processo de cicatrização. Por todas essas qualidades, o palmito é um alimento indicado a quem faz regime e um ótimo ingrediente para enriquecer saladas e tortas.
O perigo mortal do palmito

Um problema sério de consumir palmito fora de casa ou comprar palmito de marcas não confiáveis é o perigo da contaminação por uma bactéria chamada Clostridium botulinium, que vive no solo e contamina as plantas, como o palmito.
Se o palmito for conservado em meio pouco ácido, essas bactérias continuam a proliferar nas conservas e produzem toxinas tóxicas para o sistema nervoso. Uma intoxicação por botulismo é caracterizada por náuseas, dor de cabeça, sintomas neurológicos e pode levar à morte.
Quem comprar palmito fresco deve conferir se a parte externa é de um verde brilhante. Se o verde estiver fosco e o miolo estiver mole, o palmito pode estar contaminado.
Mesmo em conserva, o palmito não deve ser consumido se estiver muito mole, tiver alterações de cor ou estiver se desmanchando. Verifique a data do vencimento e se está sendo usado ácido cítrico para neutralizar a calda do palmito.


FICHA TÉCNICA DO PALMITO

Ingredientes em cada 100 g de polpa

Calorias 26
Proteínas 2,2 g
Carboidratos 3,7 g
Gordura 0,10 g
Vit. B1 0,04 mg
Vit. B2 0,09 mg
Niacina 0,5 mg
Viaminca C 17mg
Cálcio 86 mg
Ferro 0,60 mg
Fósforo 79 mg
Fibras 0,4 g
Potássio 336 mg
Sódio 45,3 mg



RECEITUÁRIO

CULINÁRIA

Como cozinhar o palmito
Descasque os talos de palmito e coloque-os para cozinhar em água, sal e uma pitada de bicarbonato. Cozinhe por 20 minutos, verifique se estão mole com um garfo e guarde na própria água de cozimento, na qual você deve pingar e diluir algumas gotas de limão. Não deixe desmanchar.
Palmito à moda indígena
Corte o palmito em talos de cerca de 60 cm sem descascar. Asse na brasa por 50 minutos, no forno convencional por 70 minutos ou no forno de microondas por 25 minutos. De vez em quando, vire para queimar a superfície por igual (no microondas a parte em contato com o prato é que fica mais queimada). Retire, do calor, espere esfriar um pouco e raspe as sobras de folhas queimadas. Leve para a mesa numa travessa e corte no sentido do comprimento, que o palmito se abrirá. Tempere com sal. Evite tem Para assar palmito descascado, corte em rodelas e ponha numa forma untada com azeite, temperando com sal e orégano. Deixe assar uns 10 minutos em forno médio.

Torta fácil de palmito
Bata no liquidificador 1 cenoura ralada com 150 g de ricota. Acrescente 130 ml de requeijão (meio copo), 2 colheres (sopa) de suco de limão, 1 colher (sobremesa) de cebola picada, 1 colher (sopa) de molho de soja tipo shoyu. Bata até ficar um purê e acrescente 1 pote de palmito sem a calda (ou 2 talos vendidos em feira cozidos) picado em pedaços pequenos. Separadamente, bata 8 azeitonas pretas sem caroço em 130 ml de requeijão (o que sobrou do meio copo) e 150 g de ricota. Se ficar muito seco, acrescente um pouco de leite. Verifique o sal. Forre um fundo de fôrma de bolo inglês com 1 pão de fôrma sem casca. Vá dispondo as fatias até formar a primeira camada de pão. Regue com leite desnatado (você vai usar 400 ml de leite na receita toda). Besunte toda a superfície com purê de cenoura e palmito e cubra com outra camada de pão. Molhe com leite. Cubra com o purê de azeitona e com uma nova camada de pão molhado no leite. Leve para a geladeira por 2 horas e sirva em seguida.

Torta recheada
Para fazer a massa: bata no liquidificador 1 xícara (cha) de farinha de trigo, ½ xícara (chá) de óleo vegetal, 2 gemas, 2 colheres (sopa) de queijo ralado, 1 colher (sopa) rasa de fermento em pó, 1 xícara (chá) de leite. Para fazer o recheio refogue 1 cebola picada em 2 colheres (sopa) de óleo, acrescente salsa e cebolinha a gosto. Quando a cebola estiver vidrada, acrescente 2 tomates descascados picados, sal, pimenta a gosto e 1 vidro de palmitos picados ou cortados em rodelas finas. Cozinhe até desmanchar os tomates. Para montar a torta, coloque metade da massa numa fôrma, espalhe o refogado de palmito por cima e cubra com o restante da massa. Salpique queijo ralado e leve ao forno quente por vinte minutos ou até ficar dourado.

Creme de palmito
Ferva 1/3 de xícara (chá) de água com 1 xícara (chá) de palmito cozido picado. Quando levantar fervura, acrescente 2 colheres (sopa) de farinha de trigo para engrossar. Mexa com colher de pau ou silicone. Apague o fogo, adicione 3 colheres (sopa) de óleo de oliva e bata tudo no liquidificador. Desligue, acrescente salsinha, cebolinha e suco de limão e sal a gosto. Volte a triturar rapidamente. Sirva quente.

Sopa de palmito no pão italiano
Aqueça 75 g de creme de leite e misture 1 gema. Deixe aquecer mais um pouco e acrescente 100 g de palmito picado em pequenas lascas, 25 g de queijo parmesão e sal a gosto. Mexa até ficar cremoso. Para fazer a “caminha” da sopa dentro do pão: aqueça 1 pão italiano redondo no forno, corte uma tampa e raspe o miolo. Volte a colocar no forno para aquecer e assar levemente as paredes raspadas. Tire do forno, coloque num prato, preencha com a sopa também quente e sirva. Essa porção é para uma pessoa

Sopa creme de palmito
Refogue 1 colher (sobremesa) de purê de cebola em 2 colheres (sopa) de manteiga com sal até dourar. Acrescente 1 colher (sopa) de farinha de trigo e deixe cozinhar mexendo em fogo médio até escurecer. Acrescente 1 litro de água quente, 1 tablete de caldo de galinha, 1 pitada de pimenta branca, 2 pitadas de tomilho, 1 colher (sopa) de vinho branco, 1 pitada de açúcar e 400 g de palmito picado. Tampe e deixe cozinhar em fogo médio durante 5 minutos. Acrescente ½ lata ou pacotinho de creme de leite, volte a aquecer, mas não deixe ferver. Sirva quente, acompanhado de pão italiano ou torradas.

Maionese de palmito e tofu
Bata no liquidificador 1 xícara (chá) de tofu passado em água fervente e escorrido, 6 colheres (sopa) de óleo de oliva, 1 colher (chá) de alecrim picado, o suco de 1 limão, 2 colheres (sopa) de cebola picada, 1 colher (chá) de orégano, 2 colheres (sopa) de leite de soja em pó, 1 xícara (chá) de palmito picado e escorrido, sal a gosto. Sirva em saladas ou como acompanhamento de sanduíches.

Empada de palmito
Faça a seguinte massa: misture 1 copo de leite de amêndoas com 1 1/2o copo americano de farinha de trigo branca, ½ copo americano de farinha de trigo integral, 4 colheres (sopa) de óleo vegetal e sal a gosto. Vá acrescentando mais farinha de trigo branca e amasse com as mãos até ficar uma massa solta. Unte forminhas para empada e forre-as com essa massa. Reserve também uma tampinha para cada empada. Para o recheio misture 2 xícaras (chá) de palmito picado, 2 xícaras (chá) de água, 2 tomates picados, ½ xícara (chá) de salsa picada, 1 cebola picada. Leve ao fogo e quando amaciarem, acrescente 2 colheres (sopa) de creme de gergelim e 4 dentes de alho amassados. Depois acrescente 1 colher (sopa) de manjericão picado, 2 colheres (sopa) de cebolinha picada e 3 colheres (sopa) de farinha de trigo. Mexa até cozinhar a farinha. Espere esfriar para rechear as empadinhas. Coloque as tampinhas, enfeite com azeitonas pretas sem caroço ou bolinha de massa, pincele com gema e leve ao forno brando por cerca de 15 minutos, até ficarem douradas.

RECEITAS DA MEDICINA POPULAR


Para estancar sangramentos
Extrair o suco do caule do palmito e aplicar na ferida. Vai provocar ardor, mas a capacidade de estancar o sangue e acelerar a cicatrização compensa o desconforto. Esse tratamento serve para pequenos sangramentos. Se for hemorragia, um médico deve ser procurado com urgência pois o emprego de receitas caseiras pode atrasar o socorro.

Contra úlcera e gastrite
Tome 1 xícara (café) da água de cozimento do palmito (sem sal) antes do café da manhã, do almoço e do jantar durante 10 dias por mês.

COSMÉTICA

Máscara firmadora de palmito
Cozinhe o palmito sem sal, retire a polpa, corte em pedacinhos e esmague com um pilão. À noite, lave o rosto, ombros e mãos com sabonete neutro, enxugue bem e acrescente a polpa pilada do palmito, cobrindo com uma gaze. Deixe agir 20 minutos e retire com água fria. Só volte a usar sabonete (neutro) no banho matinal.


BROTO DE BAMBU: SÓSIA COM IDENTIDADE PRÓPRIA

Dependendo do local, os brotos de bambu passam por palmito em pastéis de feira. Mas seu sabor e ligeiramente diferente, E nem sempre seu custo permite que ele seja sucedâneo do palmito, pois ambos estão ficando caros, depois que o broto de bambu também foi descoberto pelos gurmês.
Existem muitas espécies de bambu, mas a que é utilizada para fornecer brotos é o bambu-gigante (Dendrocalamos giganteous, nativo da Índia), que chega a quatro metros de altura. É da família das Bambusáceas, uma parente das gramíneas: quer dizer, trata-se de um capim gigante, de caule lenhoso, um desses caprichos da mãe natureza. Também à família das gramíneas pertence a cana-de-açúcar.
O bambu tem tanto açúcar quanto a cana, mas nos caules do bambu esse açúcar fica misturado com acido cianídrico um poderoso veneno, o que exige extração especial.
Existem outras variedades também nativas da Índia, cujos brotos são comestíveis, desde que sejam cozidos. E foi da seiva seca de outra espécie grande de bambu indiano (a Bambusa arundinacea) que os homens primitivos extraíram o primeiro açúcar que a humanidade conheceu, pois o bambu é rico em açúcar.
Cresce em touceiras, muito mais rapidamente que as palmeiras. Dele só se aproveitam os brotos que surgem do chão até uma altura de 25 cm. O problema é que eles não podem ser consumidos crus, pois tem acido cianídrico (21,3 gramas por quilo), um veneno fortíssimo, que se destrói com o cozimento.
Desse fato surgiu a lenda de que todos os palmitos não podem ser comidos crus, o que não é verdade. Todas as outras espécies de palmito podem ser comidas cruas, embora não tenham sabor agradável por causa da grande quantidade de tanino, que trava a boca e se decompõe com o cozimento.
A “madeira” oca desse bambu (na verdade uma fibra cerosa) pode ser usada em construções e até em encanamentos especiais, pois é muito resistente. Já a polpa do broto, uma vez cozida, é muito digestiva e contém grande quantidade de potássio, além de fibras e proteínas. Pode ser usada da mesma forma que o palmito, em cozidos ou saladas.

FICHA TÉCNICA DO BROTO DE BAMBU
Ingredientes em cada 100 g
Calorias 27
Proteínas 13,4 g
Açúcares 11,5 g
Açúcares redutores 10,3 g
Fibras 13,5
Lipídios 1,8 g
Tanino 6,3 g
Fósforo 16,1 mg
Cálcio 5,1 mg
Magnésio 1 mg
Ferro 1,1 mg
Obre 2 mg
Zinco 0,4 mg
Sódio 4 mg
Potássio 53 mg

RECEITUÁRIO

CULINÁRIA

Broto de bambu refogado

Frite, em fogo alto e frigideira grande, 700 g de brotos de bambu em lata em 3 colheres de sopa de óleo de gergelim. Deixe assar por 2 minutos. Tempere com ¼ de colher (chá) de sal, ½ colher (chá) de açúcar, 2 colheres (sopa) de molho de soja. Abaixe o fogo e cozinhe até absorver o líquido. Decore com 3 colheres (sopa) de cebolinha picada e 1 colher (chá) de sementes de gergelim tostadas.

Refogado de frango com broto de bambu
Ferva o 400 g de broto de bambu em duas águas, escorra e corte em fatias. Cozinhe 300 g de cenoura e 300 g de bardana fatiadas com 2 tabletes de caldo de galinha. Pique ½ kg de asas de frango e frite até dourar. Depois acrescente o bambu, mexendo sempre, e depois os legumes, sem parar de mexer. Deixe cozinhar por dez minutos. Adicione shoyu e glutamato monossódico a gosto, 300 g de tofu (queijo de soja) picado e 2 colheres (sopa) de açúcar. Cozinhe durante meia hora, deixe esfriar e sirva.


BIBLIOGRAFIA

AZZINI, Anísio, LEME, Paulo Roberto, LIMONTA CARVALHO, Cássia Regina, BARROS SALGADO, Antonio Luiz, e FERREIRA, Vera Lúcia Puppo, “Caracterização bromatológica e mineral dos resíduos de broto de bambu, visando a sua utilização como alimento animal”, Bragantia, Campinas, 1995.
BALBACH, Alfons, As Frutas na Medicina Doméstica, São Paulo, Edições ‘A Edificação do Lar’ (Edel), s/d.
BIAZZI, Eliza, Sucessos da Cozinha Saudável, São Paulo, Editora Tempos, 2004.
CASCUDO, Luís Câmara, História da Alimentação no Brasil, São Paulo, Editora Itatiaia/Editora da Universidade de São Paulo, 1983.
CORRÊA, Pio, Dicionário das Plantas Úteis no Brasil e das Exóticas Cultivadas, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1978.
DONA BENTA, Comer Bem – 1001 Receitas de Bons Pratos, 44ª edição, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1952.
GOMES, Marcos, As Plantas da Saúde, São Paulo, Edições Paulinas, São Paulo, 3ª edição, 2003.
LOBO FRANCO, Lelington, 100 Sucos com Poderes Medicinais, São Paulo, Editora Elevação, 2005.
PANIZZA, Sylvio, Plantas que Curam (Cheiro de Mato), São Paulo, Ibrasa, 1998.
PANIZZA, Sylvio e PANIZZA, Sylvio T., Ensinando a Cuidar da Saúde com as Plantas Medicinais – Guia Prático de Remédios Simples e Naturais, Rio de Janeiro, Ediouro, 2005.
ROTMAN, Flávio, A Cura Popular pela Comida, Rio de Janeiro, Editora Record, 10ª edição, 1986.
SAÚDE É VITAL (revista mensal), ano 11, nº 3, 1994, São Paulo, Editora Azul, 1994.
GUIAS ESPECIAIS da revista SAÚDE É VITAL, números dedicados a Vitaminas, Chás, Curas Alternativas, São Paulo, Editora Azul, s/d.
ESCOLA DE COZINHA, coleção de volumetes de adaptados de original italiano da Cursio Periodici, São Paulo, Editora Nova Cultural, 1982.

SITES
Pesquisas genéricas
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WWW.altavista.com
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