sábado, 24 de julho de 2010

TUDO SOBRE CAJU

FRUTA MUITO RICA EM VITAMINAS
Caju é o fruto do cajueiro (Anaccardium ocidentalis, que em latim quer dizer “cardo com a semente para fora que é nativo do Ocidente”), árvore nativa das Regiões Nordeste e Norte do Brasil. Pertence à família das Anacardiáceas, a mesma da manga e do pistache, dos quais é “prima” distante. A árvore é baixa, mas muito esgalhada, podendo ocupar grande superfície.
A fama dessa árvore está no seu belo fruto, o caju, que na verdade não é um fruto, mas o pedúnculo (cabinho) inchado que segura a semente, essa sim, o verdadeiro fruto do cajueiro. Para um leigo, o caju parece, como indica seu nome científico, um fruto com a semente do lado de fora.
A polpa do caju é um excelente alimento, pois fornece vitaminas (principalmente vitamina C, em quantidades maiores que a laranja, e vitamina B3, também chamada niacina – veja boxe no final do livro) e sais minerais. É também uma fruta muito rica em aminoácidos, que ajudam a construir as proteínas que sustentam nossas células: alanina, serina, fenilalanina, leucina, ácido glutâmico, ácido aspártico, prolina e tirosina.
O fruto também contêm grande quantidade de tanino, que é adstringente e bactericida, agindo sobre a pele, as mucosas internas e os vasos sanguíneos, ao ser digerido. Grande parte desse tanino se transforma em açúcares com o amadurecimento do fruto. É essa substância que dá o travo amargo ao caju, principalmente se estiver verde. Por causa do tanino, entretanto, o caju tem efeito imediato para cortar diarréia. Esse mesmo tanino faz com que o caju manche roupas, por isso tenha cuidado ao manusear o fruto e seu suco.
Além das vitaminas, o caju também tem enzimas, oligoelementos e aminoácidos, que o tornam um verdadeiro isotônico natural para os atletas. Tem ainda grande quantidade de fibras, o que o faz digestivo. Também contém compostos fenólicos, que são antioxidantes e fortalecem as células.
O caju deve ser guardado em geladeira. Envolto em filme plástico, dura até uma semana. Se for congelado, o caju se conserva por até 80 dias e pode ser usado para sucos e doces.
As castanhas, muito nutritivas, contêm mais de 40% de gordura de boa qualidade, além de vitaminas e aminoácidos, como a cisteína, que rebate danos da poluição. Elas precisam, entretanto, ser torradas para destruir a casca ou descascadas porque contém nessas cascas uma substância adesiva e irritante , o cardol, rico em ácido anacárdico. Morder essa castanha causará feridas nos lábios. Se cair nos olhos, o leite da casca da castanha pode provocar cegueira. O fruto com a castanha deve ficar longe do alcance das crianças. Quando usar o caju, jogue as castanhas no lixo.
Usado com critério, entretanto, esse leite pode ser útil, pois é medicinal. Ele dissolve tecidos e proteínas, podendo ser usado sob a forma pura para eliminar verrugas. Diluído em álcool de cereais, é tradicionalmente utilizado em receitas caseiras para tratamento de ferimentos, pois recobre a ferida com uma fina película antibiótica como se fosse um curativo. Existem fórmulas de farmácia para tratamento de eczema e psoríase que levam tintura da casca da semente do caju.
As folhas, os brotos e as cascas do caule do cajueiro também são adstringentes e servem para tratar feridas. Para conservar folhas e cascas, é melhor secá-las ao sol e depois armazená-las em sacos de papel ou pano.
O botânico Pio Corrêa conta que a casca do cajueiro era um ingrediente comum da farmacopéia francesa, sendo adstringente, tônica, estimulante, indicada para loções de massagens e “gargarejos contra aftas e inflamações da garganta”. Ele conta que do caule do cajueiro se extrai também uma gomo-resina, que os índios chamavam de acajucica. Fornece um tipo de goma arábica útil para encadernação, pois espanta cupins. Os índios usavam essa goma diluída em água como depurativa e expectorante. Eles consideravam as flores afrodisíacas.
O fruto verde ainda com a castanha embrionária, chamado muturi, era assado com carnes de caça pelos índios e os caiçaras o usam para fazer fritadas de peixe ou camarão.
Também são indígenas as técnicas de fermentar o fruto do caju para obter refrigerantes e até aguardente de superior qualidade. Pio Corrêa conta que a ação anti-séptica das curas pelo caju gerou uma verdadeira indústria no começo do século. “No tempo da frutificação, os vastos campos de cajueiros nos Estados do Norte são procurados por bandos de enfermos de moléstias sifilíticas, os quais ali se instalam e permanecem durante semanas, sempre a chupar caju e a esfregar o corpo com o respectivo bagaço, consistindo nisso apenas o combate a tão terrível enfermidade.”
A descoberta dos antibióticos sintéticos, mais específicos e de ação mais rápida, indicados para doenças como a sífilis, acabou com a indústria das estações de cura no Nordeste, baseada em sigilosas viagens que coincidiam com a época da frutificação do caju...
Boxes
CURIOSIDADES

O mistério do caju na garrafa
Se você tiver pé de caju em casa e quiser surpreender suas visitas pode fazer cajus dentro de garrafas. Todo mundo vai querer saber como a fruta entrou na garrafa. Pois a técnica é enfiar o galho com fruto pequeno pelo gargalo da garrafa e amarra-la na árvore até que o fruto cresça. Depois corte o galho e preencha a garrafa com aguardente. É considerada medicinal, mas recomendamos seu uso apenas para decoração, porque a quantidade de resina da casca da semente que se dilui na bebida é muito grande, tornando-a cáustica.

O maior cajueiro do mundo
Em Piranji, no Rio Grande do Norte, um cajueiro virou atração turística: de espécie mutante, ele ocupa vários quilômetros porque emite raízes a partir de seus galhos, com as quais forma novos troncos. Ele formou assim um bosque de cajus que tem uma só origem e atrai turistas do mundo todo.

Boxe 2
FICHA TÉCNICA


Cada 100 g de polpa de caju contêm

Calorias - “fruto” 36,5
Calorias – suco 52,2
Calorias - castanha torrada 609
Carboidratos - “fruto” 8,4 g
Carboidratos - suco 10 g
Carboidratos - castanha torrada 26,4 g
Proteínas – “fruto” 2,8 g
Proteínas – suco 2,8 g
Proteínas – castanha torrada 19,60 g
Gorduras – “fruto” 0,3 g
Gorduras – suco 0 g
Gorduras – castanha torrada 47,2 g
Fósforo – “fruto” 500 mg
Fósforo – castanha torrada 575 mg
Cálcio – “fruto” 50 mg
Cálcio – castanha torrada 165 mg
Ferro – “fruto” 0,40 mg
Vitamina C – “fruto” 200 mg
Vitamina B3 (niacina) – “fruto” 0,4 mg
Vitamina A (retinol) – “fruto” 40 mg

RECEITAS
MEDICINA NATURAL

Folhas contra feridas
Ferva 6 folhas novas de cajueiro em 2 xícaras (chá) de água por 10 minutos e deixe amornar tampado. Coe e aplique com gaze sobre a ferida previamente lavada com água oxigenada. Outra receita é aplicar folhas novas aquecidas sobre a ferida.

Para tirar calos e verrugas
Bata castanhas de caju frescas no liquidificador com um pouco de água para formar uma pasta. Aplique só nos locais afetados, isolando as bordas com gaze e cobrindo com esparadrapo 20 minutos por dia, de preferência à noite. Lave com água fria. Se o calo não sair em poucos dias, consulte um dermatologista. Seja cuidadoso com as verrugas, que merecem visita ao médico. Nos casos de verruga maligna, o tratamento com cáusticos pode espalhar o tumor.

Livre-se do diabetes
Despeje 1 colher (chá) da casca do cajueiro vermelho seca e picada em 1 xícara (chá) de água fervente. Abafe, apague o fogo e deixe amornar tampado. Come numa peneira e tome 1 xícara (chá) duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde.
Contra dor de garganta
Despeje 1 colher (sopa) da casca do cajueiro vermelho seca e picada em 1 copo americano de água fervendo. Tampe, apague o fogo e deixe em maceração por 24 horas. Coe numa peneira e use para fazer bochechos e gargarejos. Também é eficaz para lavar feridas infectadas.

Acabe com a diarréia
Despeje 3 colheres (sopa) de folhas novas e frescas bem picadas em ½ litro de água fervente. Deixe ferver 10 minutos, amorne em recipiente tampado e coe. Tome 1 copo americano depois de cada evacuação. Para crianças, dê metade da dose.

Suplemento para quem faz regime
Consumir 10 sementes torradas uma hora antes das refeições. Dá sensação de saciedade e reduz o apetite.




Contra falta de vontade sexual
(receita indígena)

Despeje 10 flores de caju abertas em 1 xícara (chá) de água fervente. Apague o fogo e amorne tampado. Tome 2 xícaras (chá) ao dia, uma de tarde e outra de noite, adoçando com mel. Sua ação levemente irritante deixa as mucosas mais sensíveis.


CULINÁRIA

Como consumir
Escolha cajus maduros, mas que não tenham partes apodrecidas. Lave bem. Saber segurar a fruta para cortá-la é prudente porque a casca é resistente e pode fazer escapar a faca ou esmagar a polpa. Para tirar a castanha, segure a castanha numa das mãos e com a outra use uma faca afiada para cortar entre a castanha e a fruta. Jogue sempre a castanha no lixo, porque, como vimos, sua casca é tóxica e irritante, podendo provocar acidentes domésticos com crianças ou animais. Segure o caju com uma das mãos e com a outra corte a ponta mais estreita do fruto. É que essa parte tem mais quantidade de tanino que não se transformou ainda em açúcar. Corte a fruta em fatias e sirva.

Suco de caju com vitaminas

Bata no liquidificador a polpa sem ponta e sem castanha cortada em fatias com um pouco de água e coe com peneira grossa. Não filtre porque boa parte das vitaminas e sais minerais fica na superfície das partes sólidas e não diluída nos líquidos do fruto. Nos cítricos, por exemplo, as vitaminas concentram-se na parte interna das pequenas “garrafinhas” (que são pistilos transformados em depósitos de água e açúcares). O problema dos sucos feitos em centrífugas com filtros muito finos é que eles retiram as fibras das frutas, e aderidas a elas, as vitaminas. O suco parece mais limpo, mas é menos nutriente.



Torre na fogueira (com cuidado!)
Uma maneira doméstica de torrar sementes de castanha de caju é colocá-las numa chapa de ferro sobre uma fogueira. Não torre em casa ou no forno porque o óleo a casca pega fogo facilmente, podendo provocar acidentes. Sobre a chapa na fogueira, esse óleo vai pegar fogo e torrar a castanha. É preciso virá-la para que toste dos dois lados. Depois é só deixar esfriar e retirar a casca queimada com as mãos. Polvilhe um pouco de sal e sirva.

Doce de caju
Lave bem 20 cajus e tire a castanha. Corte as pontas e descasque os cajus com faca serrilhada bem afiada. Reserve. Faça uma calda fervendo 1 kg de açúcar em 2 e ½ litros de água até borbulhar e ficar espessa. Faça furos nos cajus com palitos, esprema delicadamente, para tirar excesso de suco (aproveite para fazer refresco), e mergulhe-os um a um na calda, que deve continuar em fogo brando. Acrescente um pacotinho de cravos-da-índia (uns 20 cravos). Continue cozinhando em fogo baixo por cerca de uma hora. O caju fica avermelhado.

Biscoito de castanha

Separe as gemas das claras de 3 ovos. Coloque cada uma numa vasilha. Na vasilha das gemas, acrescente 200 g de margarina, 200 g de farinha de trigo, 1 colher (chá) de fermento em pó e 150 g de açúcar, misturando bem até obter uma massa homogênea. Se necessário, adicione algumas colheres (sopa) de leite. Acrescente 5 colheres de sopa de castanha de caju moída. Unte uma superfície com farinha de trigo e enrole a massa até ficar firme. Faça bolinhas do tamanho de uma colher de sopa. Aperte-as com um garfo e pincele com as claras. Misture 5 colheres (sopa) de castanha de caju moída com 3 colheres (chá) de açúcar cristal e passe as bolinhas na mistura. Depois disponha-as numa assadeira untada e polvilhada com farinha e asse por vinte minutos.

Frango com castanha
Numa panela tampada, ferva 1 xícara (chá) de castanhas de caju torradas (com ou sem sal) em ½ xícara (chá) de água. Adicione mais água se necessário, para as castanhas ficarem amolecidas.
Corte ½ quilo de peito de frango em pedaços pequenos, tempere com alho e sal e frite em fogo alto. Retire, passe em papel-toalha e leve de novo para a panela, acrescentando 1 xícara (chá) de brócolis, 1 xícara (chá) de talos de salsão ou erva-doce picados e ½ xícara (chá) de pimentão picado sem pele e sem sementes. (Para tirar a pele do pimentão, passe-o em chama viva até tostar a superfície levemente.) Acrescente sal a gosto e cozinhe tudo em fogo alto.
Faça o molho pondo para ferver 1 colher (sopa) de maisena diluída em 1 xícara de caldo de galinha com sal. Acrescente 1 colher (chá) de gengibre em pó, 2 colheres (sopa) de molho de soja (shoyu) e acrescente as castanhas cozidas nesse molho. Despeje o molho sobre o frango cozido com os legumes. Confira o sal, misture delicadamente. Sirva com arroz branco e suco de caju.

Suco sem ranço
Tire as castanhas e corte a pontas de 7 cajus. Em seguida pique-os em pedaços pequenos. Leve ao liquidificador com 1 litro de água. Deixe bater por 1 minuto. Passe numa peneira fina e leve de volta ao liquidificador, batendo com pedrinhas de gelo, açúcar cristal a gosto e 1 colher (sopa) de suco de limão.

Suflê de castanha de caju
Bata no liquidificador ½ xícara (chá) de castanha de caju, 2 tomates sem pele, ½ cebola, 1 xícara (chá) de farinha de milho, 4 colheres (sopa) de farinha de trigo, 1 xícara (chá) de berinjela cozida e espremida, 2 dentes de alho, 4 colheres (sopa) de salsa picada, 2 colheres (sopa) de óleo de oliva, ½ pimentão vermelho e sal a gosto. Deixe ficar um creme homogêneo e leve para assar num refratário em forno moderado.

Moqueca
Retire as castanhas de 12 cajus e corte as pontinhas do outro lado. Fure as frutas com um garfo e esprema para tirar o excesso de suco (aproveite para fazer refresco). Corte as frutas em fatias de 1 cm. Tempere com 2 colheres (sopa) de suco de limão, sal, pimenta-do-reino, 3 colheres (sopa) de coentro picado e 1 cebola grande picada. Misture 4 colheres (sopa) de azeite de oliva com 2 colheres (sopa) de azeite de dendê numa panela, aqueça bem e acrescente os cajus, 3 tomates e 1 pimentão verde cortados em rodelas. Refogue em fogo forte. Abaixe o fogo e deixe cozinhar por 20 minutos. Se quiser mais caldo, adicione ½ xícara de água durante o cozimento. Sirva com arroz.



Bifes de castanha de caju e ervilha
Rale pão seco em ralador grosso até preencher 1 xícara (chá). Misture com 3 tomates sem pele picados, 2 xícaras (chá) de ervilhas cozidas e moídas, 1 xícara (chá) de castanhas de caju moídas fino (mas não farinha), 2 dentes de alho picados, 4 colheres (sopa) de salsa picada, 2 colheres (sopa) de azeite de oliva, 1 colher (sopa) de pimentão vermelho bem picado e 4 colheres (sopa) de farinha de trigo. Amasse com as mãos até ficar homogêneo. Forme bifinhos arredondados e asse em forno moderado até ficarem dourados.

Batida

Retire a ponta e a castanha de 1 caju e fatie-o em rodelas, colocando dentro de uma coqueteleira. Soque os frutos com um pilão, adicione 1/3 de xícara (chá) de leite condensado (meia lata), 1 xícara de vodka ou aguardente e 2 pedras de gelo. Agite bem e sirva. Dá para duas doses.

Refresco

Misture 3 cajus sem as castanhas e as pontas, 1 litro de água gelada, 5 colheres (sopa) de açúcar e o suco de 1 limão. Bata no liquidificador e sirva.

Cajuína
Lave bem 5 kg de caju, extraia as sementes e corte as pontas no outro lado dos frutos. Esprema para extrair o suco (use um espremedor caseiro de limão). Dissolva 10 mg de gelatina em pó branca sem sabor em 100 ml de água bem quente. Adicione ao suco do caju, com 10 ml de caramelo, misture bem e deixe repousar cinco minutos. Coe em pano de algodão ou feltro muito limpo. Despeje em garrafas, coloque-as em banho-maria por uma hora e depois resfrie-as em água corrente, dentro do próprio recipiente do cozimento. Feche com rolhas, mergulhe as rolhas em cera derretida para vedar e armazene em lugar arejado por pelo menos 20 dias. Fica naturalmente gaseificado.

Frapê
Bata no liquidificador 1 lata de leite condensado, a mesma medida de suco de caju, meia lata de água e gelo picado. Sirva gelado em copo alto.

Suco hipervitaminado
(laranja-caju-melão)
Pique 2 cajus lavados e sem castanhas e pontas, acrescente ½ melão descascado e cortado em pedaços e ½ litro de suco de laranja (pode ser de embalagem tretrapak). Bata no liquidificador com um copo americano de água e gelo picado. Sirva sem coar.

Bolo de sola
(receita da Paraíba)
Rico em ferro, esse bolo é econômico porque não leva ovo, nem leite nem manteiga. Mas é tão completo como esses itens por causa da combinação de ingredientes. Derreta 1 rapadura de 1 kg em 3 copos americanos de água. Quanto mais escura for a rapadura, melhor. Em 3 copos americanos de água ponha 2 xícaras (café) de erva doce, 2 xícaras (café) de canela em pau picada e 1 xícara (café) de cravo moído. Ferva por 5 minutos, fazendo um chá forte. Deixe amornar, coe e despeje na rapadura derretida. Depois dissolva nessa rapadura 1 kg de farinha de trigo, 2 colheres (sopa) de fermento em pó não muito cheias e 1 colher (sopa) de bicarbonato de sódio. Misture tudo bem e acrescente 2 xícaras de castanhas de caju cruas moídas grosso (não farofa). Se quiser fazer uma versão nutricionalmente mais rica, acrescente 1 xícara (chá) cheia de uvas-passas. Ponha numa fôrma de tabuleiro alta, pois o bolo dobra de tamanho. Asse de 30 minutos a 35 minutos em fogo forte. (Receita de imigrantes da Paraíba, contada por João Durval Leonel.)

Bolo de castanha-de-caju
Misture 1 xícara (chá) de leite, 1 xícara (chá) de óleo, 3 ovos e bata no liquidificador. A seguir acrescente 1 xícara (chá) e ½ de açúcar, 1 xícara (chá) e ½ de farinha de trigo, ½ xícara (chá) de amido de milho, 1 colher (sopa) de fermento em pó, 100 g de castanha de caju granulada. Coloque numa fôrma com furo untada, polvilhe com açúcar e canela (a gosto) e leve ao forno moderado por 50 minutos, até ficar dourado.

Bolo de farinha de caju
Separe as claras das gemas de 10 ovos. Bata as claras em neve, acrescente as gemas e misture com ½ kg de farinha de castanha de caju, 400 g de açúcar. Depois que estiver tudo misturado, acrescente 5 gotas de essência de amêndoa e volte a mexer. Leve ao forno pré-aquecido, em forma untada, por cerca de 30 minutos.

Creme de castanha de caju
Bata no liquidificador os seguintes ingredientes: 1 xícara (chá) de água fervendo, ½ xícara de castanha de caju levemente tostada, 1 colher (chá) de alho picado, 1 colher (café) de sal, 2 colheres (sopa) de óleo de oliva, 2 colheres (sopa) de suco de limão, 1 colher (chá) de alecrim picado, 1 cenoura cozida. Para a consistência ficar cremosa, bata por uns dois minutos. Sirva como molho de salada



UTILIDADE DOMÉSTICA
Na marcenaria, contra cupins

Em marcenaria, o óleo das amêndoas frescas de caju serve para tratar a madeira, protegendo-a contra carunchos e cupins. O óleo obtido da semente fresca deve ser espalhado em toda a superfície interna e externa do móvel, repetindo-se a aplicação a cada cinco anos. Usar máscara e luvas para a aplicação, pois causa irritação da pele e das mucosas.

Box
O poder das vitaminas

Vitaminas são compostos orgânicos presentes na alimentação e essenciais para o bom funcionamento do organismo. Sua falta pode resultar em doenças. O excesso também é prejudicial, principalmente das vitaminas solúveis em gordura: A, D, E e K. As outras vitaminas são hidrossolúveis, isto é, dissolvem-se na água do organismo e não se acumulam nele porque são eliminadas pela urina. Raramente ocorre excesso de vitaminas no organismo porque elas são fornecidas em pequenas quantidades pelos alimentos. O problema são os suplementos vitamínicos, que podem ser ingeridos em excesso, causando efeitos contrários aos das vitaminas em quantidade normal.



Vitamina A
Também chamada axeroftol ou retinol, participa da formação dos ossos, da pele e dos tecidos da retina. Sua falta causa problemas de visão, falta de glóbulos vermelhos, pele seca e enrugada, pedras nos rins, por exemplo.
Nos vegetais ela não existe como vitamina A, mas como protovitamina A ou betacaroteno, que se transforma em vitamina A no processo de digestão. Para simplificar, as tabelas nutricionais de vegetais costumam trazer vitamina A, em vez de betacaroteno. É uma vitamina lipossolúvel, isto é, deposita-se como reserva nas gorduras de nosso organismo. O excesso de vitamina A em suplementos de farmácia pode provocar lesões no fígado, perda de cabelos, visão borrada e dor de cabeça.
Fontes: produtos de origem animal (fígado bovino e de aves, leite e derivados, gema de ovo), folhas verde-escuras (espinafre, salsa, agrião, beterraba etc.) e em vegetais de coloração alaranjada (caju, cenoura, tomate amarelo, abóbora, manga).

Vitamina B1
Também chamada tiamina, atua no metabolismo de conversão dos açúcares em energia. Também é utilizada no metabolismo do cérebro e do sistema nervoso.
Sua falta causa uma doença chamada beribéri, que causa fraqueza muscular e dificuldade respiratórias. Pode ser causada tanto por desnutrição, como pela infecção por um fungo, o Penicillium citreonigrun, que libera uma toxina, a citreoviridina, inibidora da absorção da vitamina B1.
A alimentação exclusiva de peixes de rio também pode causar a deficiência, pois alguns produzem uma enzima que também impede a absorção dessa vitamina.
Fontes: cereais integrais (como arroz e trigo não beneficiados e pão integral), amêndoas oleaginosas (castanha de caju, castanha-do-pará, nozes, amêndoas, avelãs), verduras de folhas verde escuras (como espinafre), levedura de cerveja e em frutas, como caju. Também está presente em produtos de origem animal (fígado).
Vitamina B2
Chamada riboflavina, atua no metabolismo das enzimas e na proteção do cérebro e do sistema nervoso.
Sua falta causa inflamações na língua, anemia e seborréia.
Fontes: vísceras de animais (fígado), gema de ovo, leite integral e derivados, vegetais amarelos, levedura de cerveja, grãos de leguminosas e frutas, como o caju.

Vitamina B3
A niacina ou ácido nicotínico, também chamada vitamina PP, é vital para a manutenção do equilíbrio da pele e do sistema nervoso. Também age no sistema digestório.
Geralmente é sintetizada pelo próprio organismo, a partir de aminoácidos fornecidos pela alimentação, principalmente pelas frutas, mas pode ser fornecida também pela alimentação, o que supre alguma eventual deficiência de produção.
Fontes diretas: aves, peixes, fígado, amendoim, jiló e cereais integrais.
Vitamina B5
O ácido pantotênico participa do metabolismo de todas as células. Ele ajuda a transformar carboidratos em gordura e também auxilia na transformação de gorduras em energia.
É essencial na síntese do colesterol, fosfolipídios, hormônios esteróides, hemoglobina e colina. Sua falta causa fadiga, cãibras e insônia.
Fontes: vísceras (rins, coração, fígado), cogumelo, milho, abacate, ovos, leite, folhas verde escuras, levedura de cerveja.
Vitamina B6
A piridoxina é vital para o crescimento de células e tecidos, proteção celular, metabolismo de gorduras e proteínas e produção de hormônios.
Sua falta causa distúrbios de crescimento, anemia e seborréia.
Fontes: carnes, frutas (como a goiaba), verduras e cereais.

Vitamina B8
Também chamada vitamina H ou biotina, essa vitamina apressa a ação das enzimas e age no metabolismo das proteínas e dos carboidratos. Atua na formação da pele. Neutraliza o excesso de colesterol.
Sua falta causa furunculose, caspa, eczemas na pele, dores musculares e cansaço.
Fontes: arroz integral, levedura de cerveja, frutas, amêndoas oleaginosas, ovos, carnes e leite. Também é produzida por bactérias em nosso intestino.

Vitamina B9
Também chamada ácido fólico ou vitamina M, ajuda no metabolismo dos aminoácidos, formação das células vermelhas (hemácias) e dos tecidos nervosos. Perde-se com o cozimento. É armazenada pelo fígado. No Brasil, uma lei determina sua inclusão, junto com ferro, na farinha de trigo, para prevenir casos de anemia.
Sua falta causa anemia megaloblástica, doenças do tubo neural.
Fontes: cogumelos, hortaliças de folhas verde escuras, vísceras de animais.
Vitamina B12
A cobalamina participa da formação das hemácias (células brancas) e da multiplicação celular.
Sua falta causa anemia. É uma vitamina essencial e muito especial porque não é produzida por plantas nem por animais, mas por microorganismos, como fungos, bactérias e algas.
Ela nos é fornecida por esses organismos, que vivem em simbiose conosco. Nosso organismo fornece alimentos a esses micróbios (as sobras de alimentação, resíduos metabólicos e de células) e as bactérias nos protegem atacando outras bactérias nocivas e produzindo vitamina B12. Só para se ter uma idéia do poder das bactérias, basta saber que a quantidade de bactérias que normalmente povoam a nossa boca ultrapassa a população humana da Terra.
Fontes na alimentação: a vitamina B12 está presente principalmente no fígado (que é a maior fonte dessa vitamina), nos ovos, no leite e na carne de peixe.
As pessoas que não ingerem produtos de origem animal devem aumentar a produção de B12 pelas bactérias de seu organismo ingerindo iogurte, produtos com lactobacilos e bebendo um copo de água pela manhã, antes de escovar os dentes, aconselha a terapeuta naturopata Catharina Walzberg, da Clínica Retiro para Recuperação da Saúde, em Itapecerica da Serra, interior de São Paulo. Essas bactérias da boca costumam não ser agressivas e colonizam os intestinos sem nos fazer mal, além de produzir vitamina B12.
Alguns alimentos têm substâncias de fórmula parecida com a vitamina B12 e os vegetarianos radicais alegam que essas substâncias podem substituir a vitamina: shoyu, espinafre, missô (pasta de soja para sopas), alfafa, ameixa japonesa, algas, legumes, tofu (queijo de soja), alga espirulina, malte de cevada, raiz de confrei, soja em grão, água de chuva, cogumelo shiitake.
Muitos médicos, entretanto, alertam os vegetarianos radicais para o fato de não haver comprovação científica de que esses similares poderiam substituir totalmente a vitamina. Esses médicos recomendam que as dietas vegetarianas sejam acompanhadas de ovos ou pelo menos leite, que fornecem a vitamina B12 necessária. Os vegetarianos mais radicais, que recusam qualquer alimento de origem animal, como leite e ovos, devem apelar para suplementos de B12 de farmácia para evitar desnutrição, alertam os médicos.

Vitamina C
O ácido ascórbico combate radicais livres (átomos soltos de oxigênio resultantes de poluição ou do próprio metabolismo; esses átomos soltos desorganizam as células e podem provocar doenças como câncer). Fortalece o sistema imunológico e aumenta a absorção de ferro pelo intestino, melhorando a saúde das células vermelhas.
Sua falta causa escorbuto, doença caracterizada por sangramentos e atrofias físicas. Baixos índices dessa vitamina também estão relacionados com alergias (pois a vitamina C diminui os índices de histamina no organismo, o que ajuda no tratamento da asma, resfriados crônicos e outras reações de fundo alérgico). A falta da vitamina C está relacionada ainda com sangramentos, câncer, problemas no coração, envelhecimento, estresse, fadiga, demora na cicatrização de ferimentos, problemas de fertilidade, infecções crônicas, fraqueza dos ossos e dos dentes, problemas de pele, demora na recuperação de queimaduras. A vitamina C também protege a visão, pois fortalece a córnea. E, para os viciados em drogas, diminui a síndrome de abstinência.
Nossas necessidades diárias de vitamina C não passam de 60 mg. Essa vitamina está presente em grande quantidade em frutos como caju (os de casca amarela possuem 200 mg em cada 100 g, enquanto os de casca vermelha possuem 35 mg), laranja (45 mg), limão (45 mg), abacaxi (25 mg), goiaba (as brancas possuem 80 mg e as vermelhas, 30 mg), kiwi (265 mg), acerola (3.500 mg), morango (70 mg), mamão (40 mg), melão (29 mg), manga (40 mg), fruta-do-conde (28 mg). Também ocorre nos legumes, como rúcula (151 mg), rabanete (66 mg), mostarda (55 mg), folhas de nabo (66 mg), salsa (180 mg), beterraba (50 mg), salsão (90 mg), couve (108 mg), couve-flor (72 mg), espinafre (15 mg), agrião (44 mg), repolho (40 mg), catalônia (40 mg), alface (15 mg) e fruto do pimentão (140 mg).

Vitamina D
Também chamada calciferol, atua na regulação do cálcio no sangue e nos ossos. Torna os dentes resistentes às cáries. Existe em alguns alimentos, mas é principalmente produzida pela nossa pele, em contato com o sol.
Sua falta causa raquitismo, osteoporose, problemas nos dentes e envelhecimento precoce.
Fontes: óleo de peixe, fígado, gema de ovo.

Vitamina E
O tocoferol é um tipo de óleo e só está presente nos vegetais. Está ligado à fertilidade e à produção dos hormônios sexuais e à renovação da pele e dos cabelos. Combate o excesso de colesterol e os radicais livres. Previne cistos e câncer de mama e próstata. Retarda o processo de envelhecimento. Acelera a cicatrização
Sua falta causa dificuldades visuais, alterações de humor e baixa fertilidade.
Fontes: amêndoas oleaginosas (amendoim, avelã, castanha, castanha-do-pará, noz, noz-pecã, noz-macadâmia e outras), no germe de trigo, óleos vegetais (milho, granola, soja, girassol), margarinas e verduras de folhas verde-escuras.

Vitamina K

Existem duas principais formas de vitamina K. A K1 ou liloquinona é fornecida pelos alimentos e absorvida pelo intestino delgado. Como todas as vitaminas solúveis em gordura, necessita da bílis produzida pelo fígado para ser absorvida. Já a vitamina K2, ou menaquinona, é fornecida por bactérias que vivem no nosso intestino grosso, principalmente a Escherichia coli. Ambas são armazenadas no fígado, músculos e pele. Essas vitaminas são usadas pelo organismo muito rapidamente, o que significa que uma semana sem o seu fornecimento já provoca sintomas. É o que ocorre nos casos de utilização de antibióticos, que destroem a flora intestinal. Também ocorre falta de vitamina K nos casos de diarréia, em que as gorduras são eliminadas junto com as vitaminas que se dissolvem nelas. As necessidades diárias dessa vitamina são de 80 mcg para o homem e de 60 mcg para a mulher.

Sua falta pode causar sangramentos internos, calcificação das cartilagens, malformação dos ossos em desenvolvimento e deposição de cálcio nas paredes de veias e artérias. É também vital para os fatores de coagulação do sangue por meio da estimulação do fígado, que produz esses fatores.
Fontes: vegetais folhosos como alfafa, couve couve-flor, repolho e rúcula, leite, tomate, arroz integral, ervilha, óleos vegetais, soja, chá verde, aveia, trigo integral, batatas, aspargos, cenouras, milho, carne de vaca e de porco, fígado (principalmente o de porco), gema de ovo, manteiga, queijo, presunto.



BIBLIOGRAFIA
BIAZZI, Eliza, Sucessos da Cozinha Saudável, São Paulo, Editora Tempos, 2004.
CASCUDO, Luís Câmara, História da Alimentação no Brasil, São Paulo, Editora Itatiaia/Editora da Universidade de São Paulo, 1983.
CORRÊA, Pio, Dicionário das Plantas Úteis no Brasil e das Exóticas Cultivadas, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1978.
GOMES, Marcos, As Plantas da Saúde, São Paulo, Edições Paulinas, São Paulo, 3ª edição, 2003.
HIRSCH, Sônia, O Mínimo para Você se Sentir o Máximo - Pequeno Guia dos Alimentos, Rio de Janeiro, caixa postal 41004, 1993
LORENZI, Harri, e MATTOS, José de Abreu, Plantas Medicinais no Brasil: Nativas e Exóticas, Nova Odessa, SP, Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2002.
OSLER, William, Tarascon Pocket Pharmacopoeia, Nova York, EUA, Tarascon, 2000
PANIZZA, Sylvio, Plantas que Curam (Cheiro de Mato), São Paulo, Ibrasa, 1998.
ROTMAN, Flávio, A Cura Popular pela Comida, Rio de Janeiro, Editora Record, 10ª edição, 1986.
SAÚDE É VITAL, revista, ano 11, nº 3, 1994, São Paulo, Editora Azul, 1994.
GUIAS ESPECIAIS da revista SAÚDE É VITAL, números dedicados a Vitaminas, Chás, Curas Alternativas, São Paulo, Editora Azul, s/d.

SITES
Pesquisas genéricas
WWW.google.com.br
WWW.altavista.com
WWW.wikipedia.com.br
WWW.todafruta.com.br
Culinária brasileira
http://www.tudook.com/receitasbrasileiras/index.html
Receitas com caju
http://www.itaueira.com.br/receitacaju.htm
Pesquisas acadêmicas
WWW.google.academico.com
lattes.cnpq.br

3 comentários:

  1. Olá Marcao, achei seu blog procurando como conservar o suco do caju
    Tenho um pé de caju anao(isso foi o que me disseram quando ganhei a muda) e hj bati a polpa e coei....isso estava certo, fiz segundo sua recomendação, só não sei como conservar, pois não vou consumir tudo, posso deixar na geladeira e ir consumindo durante a semana ou e melhor congelar.

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  2. ola Marcos, aqui e Terezio C. Fonseca de BH/MG. gostaria de saber como posso fazer meu cajueiro produzir. Ele já deu caju, mas não muito, nos temos muitas flores mas os cachos secam e não produzem. você pode me ajudar?

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  3. Encontrei o que procurava pois adoro caju.

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